Responsabilidade Social • 09:45h • 01 de agosto de 2026
Lilás: Agosto começa com combate à violência contra a mulher e marca os 20 anos da Lei Maria da Penha
Além do Agosto Lilás, calendário também destaca o Agosto Dourado e o Agosto Laranja; nova lei sobre spray de pimenta amplia medidas de proteção às mulheres
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Divulgação
O mês de agosto começa com uma série de campanhas nacionais voltadas à conscientização sobre saúde, direitos e qualidade de vida. Entre elas, o Agosto Lilás, dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher, ganha destaque em 2026 por marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha, uma das principais legislações brasileiras de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
Neste ano, a campanha também acontece em um contexto de mudanças na legislação. Em julho, foi sancionada uma lei que autoriza a compra de spray de pimenta para mulheres, ampliando as possibilidades de proteção pessoal dentro das regras estabelecidas pela nova norma. A medida reacendeu o debate sobre segurança, prevenção e a importância de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
Violência contra a mulher continua sendo um desafio
Apesar dos avanços legais nas últimas duas décadas, a violência contra a mulher continua sendo uma realidade em todo o país.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio no último ano. Em 96,4% dos casos, os autores eram homens, e 62,5% dos crimes aconteceram dentro da residência da vítima.
O levantamento também aponta crescimento em diversos indicadores relacionados à violência doméstica, como registros de stalking, ameaças, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas e tentativas de feminicídio, evidenciando que a prevenção e a denúncia continuam sendo fundamentais.
Violência vai muito além da agressão física
Um dos principais objetivos do Agosto Lilás é conscientizar a população de que a violência contra a mulher pode se manifestar de diferentes formas, muitas vezes de maneira silenciosa.
Entre elas estão:
- Violência física, caracterizada por agressões que provocam lesões corporais;
- Violência psicológica, marcada por ameaças, humilhações, manipulação, isolamento e controle emocional;
- Violência moral, que envolve calúnias, difamações e ofensas à honra da vítima;
- Violência sexual, quando há qualquer ato sexual sem consentimento;
- Violência patrimonial, caracterizada pela destruição, retenção ou controle de bens, documentos e recursos financeiros;
- Violência vicária, quando filhos, familiares, animais de estimação ou pessoas próximas são utilizados como forma de atingir emocionalmente a mulher.
O ciclo da violência costuma se repetir
Especialistas também alertam para o chamado ciclo da violência, identificado pela psicóloga norte-americana Lenore Walker.
O processo costuma ocorrer em três fases.
Na primeira, há um aumento gradual da tensão, com ofensas, humilhações, ameaças e discussões frequentes.
Na sequência ocorre a explosão da violência, quando surgem agressões físicas, verbais ou outras formas de violência.
Depois vem a chamada "lua de mel", período em que o agressor demonstra arrependimento, promete mudar o comportamento e busca reconquistar a confiança da vítima. Sem apoio e intervenção, o ciclo tende a recomeçar, geralmente com episódios cada vez mais graves.
Saiba onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem procurar apoio por diferentes canais.
O Ligue 180 oferece orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção em todo o país, além de atendimento também pelo WhatsApp.
Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.
Agosto também traz outras campanhas de conscientização
Além do Agosto Lilás, outras duas campanhas nacionais ganham espaço ao longo do mês.
O Agosto Dourado incentiva o aleitamento materno e destaca a importância da amamentação para a saúde da mãe e do bebê.
Já o Agosto Laranja busca ampliar a conscientização sobre a esclerose múltipla, estimulando o diagnóstico precoce, o acesso ao tratamento e a divulgação de informações sobre a doença.
Ao longo das próximas semanas, o Âncora1 publicará reportagens especiais sobre cada uma dessas campanhas, abordando seus objetivos, impactos e orientações para a população.
Veja a Cartilha dedicada a Agosto Lilás ou baixe o PDF aqui.
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