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Economia • 19:51h • 08 de agosto de 2026

Limite do cartão não é dinheiro: erro comum continua levando brasileiros ao endividamento

Facilidade para acessar crédito pode criar falsa sensação de poder de compra; educação financeira é apontada como principal caminho para romper ciclos de dívida

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Crédito fácil cria falsa sensação de riqueza e alimenta novos ciclos de endividamento
Crédito fácil cria falsa sensação de riqueza e alimenta novos ciclos de endividamento

Ter um cartão de crédito com limite alto ou receber ofertas constantes de empréstimos não significa, necessariamente, que a situação financeira esteja saudável. Com a ampliação das possibilidades de renegociação por meio do Novo Desenrola Brasil, especialistas chamam atenção para um comportamento que continua levando milhões de brasileiros ao endividamento: confundir limite de crédito com dinheiro disponível.

Segundo Ricardo Hiraki, administrador, empreendedor, CEO e cofundador da Plano Fintech, empresa especializada em educação financeira, o principal problema não está no crédito em si, mas na forma como ele é interpretado pelas famílias.

"O crédito não amplia a capacidade financeira de uma família; ele apenas antecipa consumo. É essa confusão que, muitas vezes, está na origem dos ciclos recorrentes de endividamento", afirma.

A facilidade para obter cartões de crédito, limites pré-aprovados e compras parceladas pode transmitir uma falsa sensação de segurança financeira. Isso leva muitas pessoas a manterem um padrão de consumo incompatível com a renda efetivamente disponível.

Limite não é patrimônio

Para o especialista, um dos erros mais comuns é considerar o limite do cartão como parte do patrimônio pessoal ou como sinal de melhora na situação financeira.

Segundo Hiraki, esse recurso apenas permite antecipar gastos que precisarão ser pagos futuramente, muitas vezes com juros, comprometendo a renda dos meses seguintes.

"O limite do cartão ou o crédito pré-aprovado não representam patrimônio nem aumento de renda. Eles apenas ampliam temporariamente a capacidade de consumo. Quando essa diferença deixa de ser percebida, as decisões financeiras passam a ser tomadas com base em um recurso que ainda precisará ser devolvido ao sistema financeiro", explica.

Parcelamento pode esconder o tamanho da dívida

Outro fator que contribui para o aumento do endividamento é o parcelamento das compras. Embora facilite o acesso a produtos e serviços, ele reduz a percepção do custo total da aquisição quando o consumidor observa apenas o valor da prestação mensal.

Para Hiraki, esse comportamento faz com que várias parcelas sejam acumuladas ao mesmo tempo, comprometendo silenciosamente o orçamento familiar.

Programas de renegociação, como o Novo Desenrola Brasil, ajudam a reorganizar as dívidas, mas não resolvem, por si só, o comportamento financeiro que levou ao problema.

"A renegociação reorganiza o passivo financeiro, mas não modifica automaticamente o comportamento que levou ao endividamento. Sem revisar critérios de compra, capacidade de pagamento e planejamento do fluxo de caixa familiar, existe uma tendência de retorno ao mesmo ciclo financeiro", ressalta.

Cinco sinais de que o crédito virou um problema

Especialistas apontam alguns comportamentos que indicam que o crédito deixou de ser uma ferramenta financeira e passou a mascarar dificuldades no orçamento:

  1. Considerar o aumento do limite do cartão como melhora da situação financeira;
  2. Depender de compras parceladas para pagar despesas recorrentes;
  3. Utilizar uma linha de crédito para quitar outra;
  4. Não saber quanto da renda realmente sobra após as despesas fixas;
  5. Manter o padrão de consumo com base no limite disponível, e não na renda recebida.

A renda disponível é o indicador mais importante

Na avaliação do especialista, a verdadeira saúde financeira não é medida pela capacidade de consumir, mas pelo valor que permanece disponível depois do pagamento de todas as despesas obrigatórias.

Essa parcela da renda é a que permite investir, criar uma reserva de emergência, enfrentar imprevistos e construir patrimônio ao longo do tempo.

"Quem consegue comprar mais nem sempre está financeiramente melhor; muitas vezes apenas está assumindo obrigações futuras maiores", conclui.

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