Ciência e Tecnologia • 19:33h • 26 de maio de 2025
Lixo espacial se torna risco real: por que mais objetos estão caindo do céu
Com o avanço das constelações de satélites, o número de objetos que reentram na Terra cresce e exige atenção até no interior de SP
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Urania Planetário | Foto: Divulgação
Olhar para o céu e observar um risco de luz cortando o horizonte já não significa, necessariamente, ver um meteoro. Nos últimos anos, fenômenos assim podem indicar lixo espacial, satélites desativados, fragmentos de foguetes ou peças soltas de missões espaciais. A tendência é que essas reentradas se tornem cada vez mais comuns, inclusive no Brasil e até no interior de São Paulo.
Desde o lançamento do primeiro satélite, o Sputnik I, em 1957, o crescimento do número de objetos feitos pelo homem em órbita disparou. De apenas um satélite naquele ano, passamos para cerca de 1.000 em 2000, 3.300 em 2020 e mais de 5.000 ativos em 2025. E esse número não para de crescer.
O grande responsável pelo aumento é o avanço das chamadas constelações de internet via satélite, como o projeto Starlink, da SpaceX, que sozinho lançou mais de 7.250 satélites só em 2024. No total, segundo o site Heavens-Above.com, são mais de 64 mil objetos orbitando a Terra, entre satélites, carcaças, pedaços de foguetes e detritos.
Somente no último ano, entre 200 e 250 objetos reentraram na atmosfera terrestre, muitos deles visíveis a olho nu. Recentemente, vídeos viralizaram no Brasil mostrando rastros de fogo cruzando os céus, não eram meteoros, e sim lixo espacial em processo de queima ao reentrar na atmosfera.
A China fica em segundo lugar, com 68 lançamentos, seguida pela Rússia (17), Japão (5), Índia (5), Irã (4) e França (3). Entre as empresas que estão montando as chamadas constelações de satélites estão a britânica OneWeb, a Amazon com seu projeto Kuiper, a canadense Telesat, a chinesa Satcom, a AST SpaceMobile, a Swarm Technologies e a Samsung, que também planeja lançar uma constelação para expandir a conectividade.
Enquanto isso, o número de regulações internacionais ainda não acompanha esse crescimento acelerado.
Estima-se que, por ano, entre 100 e 300 kg de lixo espacial atinjam a superfície terrestre. A maioria cai em oceanos ou áreas desabitadas, mas há registros de fragmentos caindo em locais habitados. Por isso, se você observar um risco luminoso no céu, até mesmo durante o dia, pode ser mais que uma estrela cadente. Pode ser uma peça de satélite.
Para quem se interessa por astronomia ou quer ficar atento, é possível acompanhar previsões de reentradas em sites como o Heavens-Above.com e também nas redes da Urânia Planetário, que faz transmissões semanais no YouTube e mantém o público informado sobre eventos astronômicos e fenômenos espaciais.
Seja por curiosidade ou segurança, olhar para o céu nunca foi tão relevante.
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