Educação • 08:19h • 22 de julho de 2026
Mais de 54% dos graduandos já abandonaram curso para cuidar dos filhos
Estudo revela elevado grau de vulnerabilidade social dos estudantes
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Mais da metade dos estudantes de graduação com filhos já precisou interromper ou abandonar os estudos para conseguir conciliar a vida acadêmica com os cuidados parentais. É o que aponta um levantamento realizado por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC). Segundo a pesquisa, 54,4% dos universitários de graduação afirmaram ter trancado a matrícula ou desistido do curso por esse motivo. Na pós-graduação, o índice é de 36,4%.
O estudo reuniu respostas de mais de 7,4 mil estudantes e revela que a maioria dos participantes é formada por mães (86,5%) matriculadas em cursos de graduação. Em média, esses estudantes têm 33 anos, frequentam aulas presenciais e estudam, principalmente, no período noturno.
O perfil predominante entre os graduandos com filhos é de pessoas solteiras, negras (pretas e pardas), matriculadas em instituições federais de ensino, com um filho, vivendo em domicílios com três moradores e renda familiar de até um salário mínimo.
Outro ponto de destaque é a situação de vulnerabilidade alimentar. Mais da metade dos estudantes de graduação (51%) e quase metade dos pós-graduandos (49,3%) informaram que seus filhos não têm direito à alimentação nos restaurantes universitários. Entre aqueles que possuem acesso, apenas uma pequena parcela recebe o benefício gratuitamente.
Além disso, cerca de um terço dos estudantes afirmou não saber se seus filhos podem utilizar esse serviço, indicando falta de informação e de divulgação das políticas de assistência estudantil pelas instituições de ensino.
A pesquisa também mostra que a maioria dos universitários enfrenta dificuldades financeiras. Entre os estudantes de graduação, 16,1% disseram não possuir nenhuma fonte de renda e 14,5% sobrevivem com até meio salário mínimo. Apenas 2,5% declararam renda superior a dez salários mínimos.
Rede de apoio ainda é insuficiente
O levantamento evidencia que a principal fonte de apoio para estudantes com filhos continua sendo familiares e amigos, citados por 43,3% dos entrevistados. No entanto, quase um terço afirmou não contar com qualquer tipo de suporte para dividir os cuidados com as crianças.
Poucos estudantes conseguem contratar serviços particulares, como babás, enquanto uma parcela reduzida utiliza serviços públicos ou recebe apoio de organizações sociais e projetos comunitários. Para os pesquisadores, esses dados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à permanência de mães e pais no ensino superior.
Entre os estudantes da pós-graduação, o perfil apresenta algumas diferenças. A maioria se autodeclara branca, é casada e possui renda mais elevada do que os graduandos. Mais de um terço vive com renda familiar de até cinco salários mínimos, enquanto 23,1% recebem entre cinco e dez salários mínimos e 13% possuem renda superior a dez salários mínimos.
Os dados também mostram menor percentual de pós-graduandos sem renda ou vivendo com até um salário mínimo, indicando uma situação econômica mais favorável em comparação aos estudantes da graduação.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos