Saúde • 08:02h • 30 de maio de 2026
Mais de 570 mil brasileiros já recorreram à autoexclusão de bets; saúde mental é principal motivo
Dentre as medidas do Ministério da Saúde está o investimento de R$ 6 milhões na primeira pesquisa nacional do SUS sobre jogos e apostas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1
Mais de 574 mil pessoas já utilizaram a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta criada pelo Governo Federal em dezembro de 2025 para permitir o bloqueio voluntário de contas em sites de apostas autorizados no Brasil. A solicitação é feita de forma única e vinculada ao CPF do usuário, impedindo o acesso simultâneo a todas as plataformas cadastradas. Segundo os dados divulgados, 41% dos usuários afirmaram que decidiram pela autoexclusão devido à perda de controle sobre o jogo e aos impactos na saúde mental.
A plataforma também reúne orientações e canais de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que buscam apoio psicológico ou tratamento especializado. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa faz parte de uma estratégia de prevenção, cuidado e redução de danos relacionados às apostas online, além de ampliar o acesso ao acolhimento em saúde mental.
Entre os demais motivos apontados pelos usuários para solicitar o bloqueio das contas, 18% disseram querer evitar o uso indevido de dados pessoais nas plataformas. Outros 14% preferiram não informar a razão da exclusão, enquanto 13% afirmaram ter tomado a decisão de forma preventiva e voluntária. Já as dificuldades financeiras foram citadas por 12% dos cadastrados.
Além de bloquear as contas já existentes, a autoexclusão impede novos cadastros e suspende o envio de propagandas relacionadas às apostas. Os usuários também podem escolher por quanto tempo desejam permanecer afastados das plataformas. Até agora, 69% optaram pelo bloqueio por tempo indeterminado, enquanto 31% definiram um prazo específico, sendo um ano o período mais escolhido.
Pesquisa e apoio em saúde mental
O Ministério da Saúde anunciou ainda investimentos em estudos sobre os efeitos das apostas na saúde da população. Um Termo de Execução Descentralizada foi firmado com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), prevendo repasse de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS. O levantamento deve começar ainda em 2026.
O atendimento em saúde mental relacionado ao vício em jogos e apostas ocorre por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que integra Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O SUS também passou a oferecer, neste ano, um serviço inédito de teleatendimento em saúde mental voltado a pessoas afetadas por apostas online, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. A iniciativa tem capacidade para atender até 650 pacientes por mês.
Outra ferramenta disponível é o Autoteste do Jogo, criado para ajudar usuários a identificar sinais de alerta relacionados ao comportamento com apostas. O questionário não fornece diagnóstico, mas auxilia na percepção de sintomas como ansiedade, irritação e dificuldade para interromper o jogo, além de indicar quando buscar ajuda especializada.
A plataforma de autoexclusão pode ser acessada em Plataforma Centralizada de Autoexclusão.
Informações sobre atendimento em saúde mental e apoio no SUS estão disponíveis em Meu SUS Digital e na Ouvidoria do SUS.
O autoteste pode ser acessado em Autoteste do Jogo.
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