Responsabilidade Social • 09:19h • 30 de maio de 2026
Mais de 93% dos peixes vendidos no litoral do Paraná têm microplástico
Estudo científico também identificou fragmentos em aves
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Uma pesquisa realizada no litoral do Paraná identificou a presença de microplásticos em peixes, aves marinhas e tartarugas-verdes da região. O levantamento, conduzido pela oceanógrafa Fernanda Possatto, aponta que 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados apresentavam partículas plásticas no trato digestivo. Dos 47 exemplares examinados, 44 continham microplásticos, principalmente espécies que vivem próximas ao fundo do mar.
Os microplásticos são fragmentos com menos de 5 milímetros, originados da degradação de materiais plásticos maiores, como embalagens, garrafas, pneus, tecidos e tintas. Segundo a pesquisadora, embora os resultados ainda não indiquem risco direto à alimentação humana, eles reforçam a necessidade de ampliar os estudos sobre os impactos desses resíduos no meio ambiente e nos organismos marinhos.
A pesquisa integra o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), desenvolvido pela Associação Mar Brasil, em Pontal do Paraná, com apoio da Petrobras. O projeto atua em diferentes áreas do litoral paranaense, incluindo regiões próximas ao Porto de Paranaguá, manguezais e áreas ambientalmente preservadas.
Impactos na fauna marinha
Além dos peixes, os pesquisadores identificaram microplásticos em aves marinhas. O estudo analisou gaivotas e corujas-buraqueiras por meio de material regurgitado e encontrou fragmentos em 69% das aves avaliadas. Para os pesquisadores, o resultado mostra que a contaminação já alcança diferentes níveis da cadeia alimentar.
Fernanda Possatto explica que os microplásticos conseguem se espalhar facilmente pelo ambiente por meio das correntes marítimas, ventos e marés, atingindo tanto áreas urbanizadas quanto locais preservados.
Outro foco do Rebimar é o monitoramento de tartarugas-verdes no litoral paranaense. Desde 2014, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acompanham a saúde desses animais e já realizaram centenas de capturas para avaliação e rastreamento.
Segundo a bióloga Camila Domit, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, cerca de 80% das tartarugas encontradas mortas na região apresentavam resíduos plásticos no trato digestivo. Os pesquisadores alertam que o acúmulo de lixo pode causar lesões internas, dificultar a alimentação e aumentar a vulnerabilidade dos animais.
Os estudos também mostram que aproximadamente mil tartarugas são encontradas mortas todos os anos nas praias monitoradas do Paraná, sendo grande parte das mortes relacionada à pesca e aos impactos causados pelo lixo no mar.
De acordo com os pesquisadores, os dados coletados ajudam a orientar políticas públicas de preservação ambiental e conservação da fauna marinha, além de contribuir para a criação de áreas protegidas e ações de conscientização sobre o descarte de resíduos plásticos.
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