Educação • 15:15h • 05 de junho de 2026
Mais de 94% dos professores de matemática ainda acreditam no poder da profissão
Escuta nacional com mais de 57 mil docentes revela alto engajamento nas escolas públicas, mas também expõe inseguranças, desafios emocionais e necessidade de mais apoio pedagógico
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tamer Comunicação | Foto: Âncora1
Mais de 57 mil professores de matemática da rede pública brasileira participaram de uma escuta nacional inédita que revelou um cenário marcado por contrastes dentro da educação: mesmo diante da pressão diária, das dificuldades estruturais e dos desafios de aprendizagem, a maioria esmagadora dos docentes ainda encontra sentido no que faz. Segundo o levantamento, mais de 94% afirmam enxergar propósito na profissão e mais de 91% dizem estar satisfeitos com o próprio desempenho em sala de aula.
A pesquisa mobilizou educadores de mais de 24 mil escolas distribuídas em cerca de 75% dos municípios brasileiros. O estudo foi conduzido pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com Consed, Undime, Itaú Social, Iede, Porvir e Rede Conhecimento Social, e traçou um dos retratos mais amplos já feitos sobre quem ensina matemática no país.
Os dados mostram que, mesmo em meio ao desgaste frequentemente associado ao ambiente escolar, a relação entre professores e ensino continua sustentada por envolvimento emocional, sensação de pertencimento e vontade de transformar a realidade dos estudantes através da educação.
Matemática ainda desperta paixão dentro das salas de aula
Um dos pontos mais simbólicos da pesquisa aparece justamente na forma como os professores enxergam os alunos e o próprio ensino da matemática. Praticamente todos os participantes afirmaram sentir satisfação quando percebem que os estudantes conseguem aprender, enquanto nove em cada dez disseram acreditar que todos têm capacidade de desenvolver aprendizado na disciplina.
A pesquisa também derruba uma ideia bastante comum sobre a matemática ser uma área limitada apenas a fórmulas e cálculos mecânicos. Segundo o levantamento, 99% dos professores associam a disciplina ao pensamento criativo, à construção de raciocínio e à capacidade de resolver problemas.
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, a escuta revela um vínculo muito forte entre os docentes e a educação, mas também expõe a necessidade de ampliar o suporte oferecido a esses profissionais. Segundo ela, os dados mostram professores comprometidos, mas que ainda enfrentam carências importantes ligadas à formação continuada, apoio pedagógico e valorização profissional.
Inseguranças ainda aparecem na formação e na prática
Apesar do alto nível de identificação com a profissão, a pesquisa também identificou sinais importantes de insegurança dentro das salas de aula, principalmente entre docentes dos anos iniciais da educação básica.
Entre os professores que atuam nessa etapa, 32% afirmaram não se sentir totalmente seguros em alguns conceitos matemáticos. Nos anos finais do Ensino Fundamental, o índice cai para 14%, enquanto no Ensino Médio fica em 16%.
O levantamento também aponta dificuldades relacionadas à didática, avaliação da aprendizagem, inclusão, equidade e recomposição do ensino após perdas educacionais acumuladas nos últimos anos.
Mesmo entre profissionais experientes, muitos relatam sensação de desgaste e cobrança constante. Embora a maioria diga conseguir ensinar estudantes com maior dificuldade, apenas uma parcela menor afirma ter segurança plena nessa capacidade, o que revela um ambiente de forte responsabilidade emocional dentro das escolas.
Relação com a escola ajuda a sustentar os professores
Outro dado que chamou atenção no estudo envolve o ambiente escolar. Mais de 90% dos professores disseram contar com apoio da gestão das escolas e manter relações profissionais positivas com colegas de trabalho, algo que aparece como fator importante para sustentar emocionalmente a rotina docente.
Dentro das salas de aula, a maior parte dos educadores afirmou tentar aproximar a matemática da realidade cotidiana dos estudantes. Mais de 81% disseram relacionar conteúdos ao dia a dia em praticamente todas as aulas, numa tentativa de tornar o aprendizado mais próximo da vivência dos alunos.
Ao mesmo tempo, atividades mais complexas e investigativas, como projetos práticos, pesquisas orientadas e resolução aprofundada de problemas, ainda aparecem com menor frequência, indicando limitações estruturais e pedagógicas que continuam presentes na educação pública.
Para a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, a escuta ajuda a mostrar que os professores seguem interessados em evoluir profissionalmente e fortalecer o ensino da matemática nas escolas públicas. Os resultados completos serão apresentados durante o 1º Seminário Internacional do Compromisso Nacional Toda Matemática, realizado em Brasília.
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