Mundo • 14:04h • 18 de outubro de 2026
Mais descanso, novas contratações e custos maiores: o que muda com o fim da escala 6x1
Mudança promulgada pelo Congresso reduz jornada de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e exige adaptação de setores que dependem de funcionamento contínuo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MTE | Foto: Divulgação
A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com a garantia de dois dias de descanso remunerado, abre uma nova etapa para o mercado de trabalho brasileiro. Promulgada pelo Congresso Nacional na última sexta-feira (16), a mudança poderá estimular contratações para cobrir os períodos de descanso, mas também exigirá reorganização de escalas e poderá aumentar os custos de empresas que precisam manter o atendimento durante toda a semana.
A proposta foi aprovada pelo Senado Federal por 75 votos a 1 e promulgada em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
A transição será gradual. Após 60 dias, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, com direito a dois dias de repouso remunerado. Ao completar 12 meses, o limite passará para 40 horas por semana.
Mudança pode estimular contratações em diferentes setores
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Brasil tinha 44,5 milhões de trabalhadores com vínculo formal pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em dezembro de 2025. Desse total, 29,7 milhões já trabalhavam em escalas de cinco dias de serviço por dois de descanso, enquanto 14,7 milhões cumpriam a jornada 6x1.
Isso significa que aproximadamente 33,2% dos trabalhadores formais estavam submetidos ao modelo de seis dias de trabalho e um de folga, que precisará ser adaptado às novas regras.
Estudos do MTE apontam potencial de geração de empregos com a redução da jornada, especialmente no comércio, turismo, transporte e serviços pessoais. A necessidade de manter estabelecimentos funcionando poderá levar empresas a contratar funcionários adicionais ou reorganizar suas equipes.
O ministério também aponta experiências que associam jornadas menores a ganhos de produtividade, melhores condições de trabalho e redução de afastamentos relacionados à sobrecarga. Esses efeitos, entretanto, não são automáticos e dependem das condições de cada atividade.
Empresários terão de reorganizar escalas e despesas
Se, por um lado, a mudança pode ampliar oportunidades de emprego, por outro, empresas que dependem de atendimento contínuo terão de avaliar como manter suas operações com menos horas disponíveis por trabalhador.
Bares, restaurantes, hotéis, estabelecimentos comerciais e outros serviços poderão precisar de novas contratações, redistribuição de turnos ou ajustes no funcionamento. Essas medidas podem representar despesas adicionais, especialmente para negócios com equipes reduzidas.
O impacto financeiro dependerá da estrutura de cada empresa, da necessidade de cobertura dos horários e das soluções adotadas. O texto divulgado não apresenta uma estimativa oficial de quanto os custos empresariais poderão aumentar.
A adaptação dos setores que utilizam escalas específicas deverá envolver negociações com os sindicatos das respectivas categorias profissionais.
A nova jornada representa uma mudança que combina a ampliação do descanso dos trabalhadores com desafios de contratação, produtividade e organização financeira para os empregadores.
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