Saúde • 12:34h • 16 de junho de 2026
Mais fome no frio? Entenda por que o inverno aumenta o apetite e muda os hábitos alimentares
Especialistas explicam que alterações hormonais, menor exposição ao sol e maior gasto de energia ajudam a explicar a vontade de comer mais durante a estação
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova PR | Foto: Arquivo
Com a chegada do inverno, que começa oficialmente neste domingo, 21 de junho, muitas pessoas percebem mudanças na rotina, como maior vontade de comer, preferência por alimentos mais calóricos e até uma sensação de cansaço ou desânimo. Embora pareça apenas uma impressão, essas alterações têm explicação científica e estão relacionadas ao funcionamento do organismo durante os dias mais frios.
Segundo especialistas, a combinação entre temperaturas mais baixas, menor exposição à luz solar e mudanças hormonais faz com que o corpo demande mais energia e procure alimentos que transmitam sensação de conforto e saciedade.
O frio realmente pode aumentar a fome
Durante o inverno, o organismo trabalha para manter a temperatura corporal estável, o que pode elevar, ainda que de forma moderada, a necessidade energética diária. Além disso, há mudanças na produção de hormônios ligados ao apetite e ao bem-estar.
Entre eles está a grelina, conhecida como o hormônio da fome, cuja produção tende a aumentar. Ao mesmo tempo, a redução da exposição ao sol pode influenciar a produção de serotonina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e equilíbrio emocional. Essa combinação ajuda a explicar por que cresce o desejo por pratos mais quentes, doces e alimentos com maior teor calórico.
Menos sol também afeta o organismo
Outro fator importante é a diminuição da exposição solar durante os meses mais frios. Estudos internacionais apontam que cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo apresentam deficiência ou insuficiência de vitamina D, condição que pode se intensificar no inverno.
Além da participação na saúde óssea, a vitamina D está relacionada ao funcionamento do sistema imunológico e ao bem-estar geral. Por isso, a estação também costuma coincidir com um aumento dos casos de doenças respiratórias, reforçando a importância de uma alimentação equilibrada.
Segundo Gisele Pavin, head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé Brasil, a alimentação pode ser uma aliada importante para enfrentar esse período. A recomendação é priorizar a qualidade nutricional das refeições, fortalecendo o organismo sem abrir mão do prazer de comer.
Como manter uma alimentação equilibrada no inverno
Especialistas orientam que pequenas adaptações na rotina já podem ajudar a atravessar a estação de forma mais saudável. Entre as principais recomendações estão:
- Priorizar refeições ricas em proteínas e fibras, que aumentam a sensação de saciedade;
- Incluir frutas cítricas, legumes e vegetais ricos em vitaminas e minerais importantes para a imunidade;
- Apostar em preparações quentes, como sopas e caldos, que facilitam o consumo de verduras, legumes e cereais integrais;
- Manter a hidratação ao longo do dia, incluindo água, chás e outras bebidas quentes;
- Evitar exageros, lembrando que o aumento do apetite é natural, mas pode ser administrado com escolhas equilibradas.
Equilíbrio é mais importante do que restrição
A maior vontade de comer durante o inverno não significa que seja necessário seguir dietas restritivas ou eliminar alimentos considerados mais "confortáveis". O principal desafio está em encontrar um equilíbrio entre o prazer à mesa e a oferta de nutrientes importantes para o organismo.
Com a chegada das temperaturas mais baixas, compreender como o corpo reage às mudanças da estação pode ajudar a fazer escolhas mais conscientes e a manter a saúde em dia, sem abrir mão das receitas típicas que tornam o inverno uma das épocas mais apreciadas do ano.

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