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Variedades • 12:11h • 22 de abril de 2026

Mandíbula travada e dor ao mastigar podem indicar estresse e excesso de telas

Especialistas alertam que sintomas comuns no dia a dia podem estar ligados à sobrecarga da articulação e ao ritmo acelerado da rotina

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tinteiro Assessoria | Foto: Divulgação

Estresse, telas e dor na mandíbula: sinais que muita gente ignora no dia a dia
Estresse, telas e dor na mandíbula: sinais que muita gente ignora no dia a dia

Dor ao mastigar, estalos ao abrir a boca, sensação de travamento e desconforto que se irradia para cabeça e pescoço podem indicar sobrecarga na articulação temporomandibular, a ATM, estrutura responsável por funções como falar, mastigar e bocejar. Esses sinais, muitas vezes ignorados, têm sido associados por especialistas ao aumento do estresse, ao uso excessivo de telas e a hábitos cotidianos que mantêm o corpo em estado de tensão constante.

A fisioterapeuta e mestre em Ciências Médicas, Mariana Milazzotto, explica que a mandíbula está entre as regiões mais sensíveis ao estilo de vida atual. Segundo ela, fatores como noites mal dormidas, postura inadequada, apertamento dentário e repetição de hábitos da boca contribuem para um quadro de sobrecarga progressiva.

Mariana Milazzotto é fisioterapeuta e mestre em Ciências Médicas

“A mandíbula responde diretamente à forma como a pessoa vive. Quando há acúmulo de tensão, o corpo nem sempre consegue compensar sem apresentar sintomas”, afirma.

Quando o corpo começa a dar sinais

Os primeiros indícios costumam ser discretos, como pequenos estalos, rigidez ao acordar ou desconforto leve ao mastigar. Com o tempo, o quadro pode evoluir para dor persistente, limitação de movimento e até alterações na mordida. A especialista ressalta que nem todo estalo indica gravidade, mas a repetição associada a dor ou cansaço na região já merece atenção.

A ATM funciona de forma integrada com outras partes do corpo, como pescoço, ombros e respiração. Por isso, a postura adotada durante o uso prolongado de celular e computador tem impacto direto. A posição da cabeça projetada para frente, comum no uso de telas, aumenta a sobrecarga na cervical e altera o comportamento da musculatura da face, favorecendo tensão e desgaste.

Outro fator frequente é o bruxismo, caracterizado pelo ato de apertar ou ranger os dentes, muitas vezes de forma involuntária. Esse esforço repetitivo pode ocorrer durante o sono ou ao longo do dia e está relacionado a ansiedade e estresse acumulado. Sintomas como dor de cabeça, fadiga facial e sensação de cansaço ao despertar costumam aparecer associados.

Estresse contínuo e efeitos no corpo

A psicóloga clínica Mirela Borges, especialista em burnout, destaca que o problema vai além de episódios isolados de tensão. Segundo ela, o padrão atual de hiperconexão contribui para manter o organismo em estado de alerta constante. “A pessoa passa o dia exposta a notificações, excesso de informação e cobranças. O cérebro não encontra espaço para desacelerar, e o corpo responde com sinais físicos”, explica.

De acordo com Mirela, não é apenas o tempo de tela que pesa, mas o tipo de estímulo contínuo. “Mesmo quando tenta descansar, a pessoa continua estimulada. O corpo deixa de alternar entre ativação e repouso de forma saudável, e a tensão começa a se manifestar em regiões como ombros, pescoço e mandíbula”, afirma.

Mirela Borges é psicóloga clínica especialista em esgotamento profissional

Esse ciclo pode transformar dores e pequenos travamentos em sinais de esgotamento mais amplo. Para a especialista, esses sintomas não devem ser ignorados, pois refletem um organismo que não está conseguindo recuperar seu equilíbrio.

Quando procurar ajuda e como evitar agravamentos

Entre os principais sinais de alerta estão travamento da boca, dor intensa ao mastigar ou falar, mudança na mordida e sensação de desalinhamento. Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação especializada e evitar qualquer tentativa de manipulação da mandíbula sem orientação profissional.

Até a consulta, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o desconforto, como evitar esforço ao mastigar, não forçar a abertura da boca, relaxar a musculatura do pescoço e dos ombros, aplicar compressa morna na região e adotar estratégias para reduzir o estresse.

Segundo Dra. Mariana Milazzotto, o tratamento depende da causa e pode envolver fisioterapia, reeducação de hábitos e, quando necessário, acompanhamento odontológico. O foco não está apenas em aliviar a dor, mas em identificar a origem da sobrecarga e reorganizar o funcionamento do corpo.

Com a rotina cada vez mais acelerada e conectada, especialistas reforçam que sintomas persistentes não devem ser tratados como algo normal. A atenção precoce pode evitar a evolução do quadro e preservar a qualidade de vida.

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