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Responsabilidade Social • 14:09h • 27 de setembro de 2025

Mapa identifica regiões de maior risco de acidentes com serpentes e seus principais fatores

Pesquisa teve participação do Butantan e analisou quase 20 mil casos entre 2010 e 2022; ocorrências podem ter relação com processo de urbanização desordenada das cidades

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: José Felipe Batista

A coloração da coral-verdadeira costuma chamar atenção das crianças.
A coloração da coral-verdadeira costuma chamar atenção das crianças.

Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Epidemiologia em junho deste ano, com participação do Instituto Butantan, trouxe uma análise detalhada sobre os acidentes envolvendo serpentes em São Paulo e destacou as áreas de maior risco no estado.

O levantamento mostra que os acidentes com jararacas são os mais frequentes, com maior incidência nas regiões sul, sudeste, norte e no litoral paulista. Já os casos envolvendo cascavéis se concentram principalmente no centro, nordeste e noroeste do estado. Embora menos comuns, os acidentes com a coral-verdadeira — responsáveis por pouco mais de 1% dos registros — também merecem atenção, já que espécies desse gênero foram identificadas em todo o território paulista.

Entre 2010 e 2022, foram analisados 17.740 acidentes com serpentes peçonhentas notificados no estado, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). O perfil das vítimas mostra predominância de homens entre 20 e 59 anos. Embora os óbitos ainda sejam mais frequentes em áreas rurais, 55% dos casos foram registrados em regiões urbanas ou periurbanas, o que reforça o fenômeno chamado de “urbanização dos acidentes ofídicos”.

Em 2024, São Paulo contabilizou 2.133 casos de picadas por serpentes, ocupando a quarta posição no ranking nacional, de acordo com o Ministério da Saúde.

Áreas de maior risco

Jararacas (61% dos casos): predominam em áreas próximas a florestas tropicais densas, mas também se adaptam a regiões mais secas. Os municípios com maior risco são Iporanga, Sete Barras, Miracatu, Juquiá e Barra do Turvo.

Cascavéis (12% dos casos): comuns em regiões secas, com vegetação aberta. O risco é maior em Rifaina, São Francisco, São João das Duas Pontes, Cássia dos Coqueiros e Santa Mercedes.

Corais-verdadeiras (1,2% dos casos): apesar da baixa frequência, representam risco elevado, especialmente em Juquitiba, São Lourenço da Serra, São Francisco, São Pedro e Tabapuã. Muitos acidentes ocorrem quando crianças tentam manusear os animais, atraídas pelas cores vibrantes.

Sazonalidade e deslocamento

Os acidentes são mais comuns no verão, período de chuvas e nascimento de filhotes, quando as serpentes se movimentam mais. Já no inverno, os casos diminuem, com exceção dos envolvendo cascavéis, que permanecem estáveis durante o ano.

Outra particularidade é que muitos incidentes acontecem fora do município de residência das vítimas: 13% dos casos com jararacas, 15% com cascavéis e 13% com corais-verdadeiras. Em média, os acidentados estavam a 50 km de casa, mas houve casos registrados a quase 800 km de distância.

Produção de antivenenos

O Butantan tem papel central no enfrentamento do problema. Em 2024, o instituto entregou ao Ministério da Saúde mais de 420 mil frascos de antivenenos, fundamentais para o tratamento. Atualmente, produz cinco tipos de soros:

  • Antibotrópico (pentavalente): contra jararacas e espécies semelhantes.
  • Antibotrópico e antilaquético: contra jararacas e surucucu.
  • Anticrotálico: específico para cascavéis.
  • Antibotrópico e anticrotálico (bivalente): para jararacas e cascavéis.
  • Antielapídico (bivalente): para acidentes com corais-verdadeiras.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os acidentes ofídicos como doença tropical negligenciada e estabeleceu como meta reduzir em 50% as mortes e incapacidades causadas por serpentes até 2030.

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