Responsabilidade Social • 16:48h • 02 de janeiro de 2026
Mapeamento inédito revela extensão de área livre de gelo na Antártica
Pesquisadores puderam observar saúde e densidade da vegetação
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Ana Nascimento/Agência Brasil
No extremo sul do planeta, menos de 1% do território da Antártica permanece livre de gelo. Ao todo, são cerca de 2,4 milhões de hectares sem cobertura glaciar, dos quais apenas 107 mil hectares apresentam vegetação durante o verão austral, segundo o estudo MapBiomas Antártica.
Considerada uma reserva natural internacional dedicada à pesquisa científica, a Antártica teve, pela primeira vez, suas áreas livres de gelo e coberturas vegetais mapeadas e quantificadas. O trabalho foi desenvolvido por uma iniciativa científica brasileira, com base em imagens de satélite, uso de algoritmos de aprendizado de máquina e processamento em nuvem, necessário diante do grande volume de dados analisados.
De acordo com a pesquisadora Eliana Fonseca, coordenadora do mapeamento, o estudo amplia a compreensão sobre os efeitos das mudanças climáticas no continente e seus reflexos globais. Segundo ela, as áreas livres de gelo são fundamentais para o monitoramento da fauna, já que é nesses locais que ocorrem a nidificação e o nascimento de filhotes durante o verão. Já o mapeamento da vegetação permite avaliar a produtividade dos ecossistemas e acompanhar alterações ambientais em regiões sensíveis.
Para analisar a flora, os pesquisadores utilizaram indicadores de sensoriamento remoto capazes de identificar a saúde e a densidade da vegetação a partir das imagens de satélite. Durante o verão, essas áreas abrigam principalmente musgos, algas terrestres e gramíneas. Sobre as rochas, predominam os líquens, presentes tanto nas regiões costeiras quanto no interior do continente.
O estudo também identificou semelhanças entre a vegetação da Antártica e a de biomas brasileiros. Segundo Fonseca, líquens, musgos e algas terrestres são classificados como crostas biológicas do solo e também ocorrem em ambientes de vegetação esparsa no Brasil, como no Pampa e na Caatinga, onde ajudam a manter a cobertura do solo em áreas de escassez de recursos. As gramíneas, por sua vez, são plantas pioneiras encontradas em todos os biomas do país.
A Antártica exerce influência direta sobre o clima do Hemisfério Sul e é considerada o berço das frentes frias que afetam os regimes de chuva. O contraste entre as massas de ar frias e secas vindas do continente gelado e o ar quente e úmido que se forma sobre o Brasil interfere tanto no volume quanto na frequência das precipitações. Frentes frias mais intensas podem provocar queda de temperatura não apenas no Sul, mas também nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.
Segundo os pesquisadores, o mapeamento só foi possível após o posicionamento dos satélites Sentinel-2 em órbita polar, capazes de captar imagens de ampla cobertura e alta resolução. As análises utilizaram registros feitos entre 2017 e 2025, limitados aos meses do verão austral, entre dezembro e março, quando há maior incidência de luz solar no Hemisfério Sul. Nesse período ocorre o fenômeno do “sol da meia-noite”, em que o sol circunda o continente, projetando extensas sombras das cadeias montanhosas do interior.
Essa limitação impediu o registro contínuo da dinâmica ao longo dos anos, mas a expectativa é de avanço nas próximas etapas. Segundo a coordenadora científica do MapBiomas, Júlia Shimbo, esta é a primeira versão do mapeamento, que deverá ser aprimorada com a participação de mais pesquisadores e a incorporação de novas variáveis nos próximos levantamentos.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos