Variedades • 19:43h • 30 de junho de 2026
Marketing nas redes sociais pode gerar processos éticos contra médicos; entenda os riscos
Fiscalização dos Conselhos Regionais de Medicina tem aumentado, e estratégias comuns no marketing digital podem resultar em processos éticos contra profissionais da saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A busca por maior visibilidade nas redes sociais tem levado parte dos médicos a adotar estratégias de marketing que podem contrariar as normas da profissão. Segundo especialistas em comunicação médica, o aumento da fiscalização pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), por meio das Comissões de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame), tem ampliado o número de notificações e processos éticos relacionados à publicidade considerada irregular.
Práticas como divulgação de fotos de "antes e depois", promessas de resultados, uso de gatilhos de escassez e conteúdos com apelo comercial, comuns em outros segmentos, podem infringir as regras estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que determina que a publicidade médica deve ter caráter informativo, educativo e de orientação à sociedade.
Dependendo da gravidade da infração, o profissional pode ser alvo de advertências, censura ética e outras penalidades previstas na legislação profissional.
Estratégias do varejo nem sempre podem ser aplicadas à medicina
Com a popularização das redes sociais, muitos profissionais passaram a consumir cursos e métodos de marketing desenvolvidos originalmente para lojas virtuais, influenciadores e empresas de varejo.
Especialistas alertam que nem todas essas estratégias são compatíveis com a atividade médica, justamente porque a profissão possui regras específicas voltadas à proteção do paciente e à preservação da ética profissional.
Além das possíveis sanções administrativas, a adoção de práticas inadequadas pode comprometer a credibilidade do médico perante pacientes e colegas de profissão.
Reputação passa a valer mais do que exposição
Para a especialista em posicionamento e reputação para médicos Jovana Menezes, o fortalecimento da imagem profissional não depende de conteúdos chamativos ou de promessas de resultados.
Ela defende o conceito de "Engenharia de Imagem", metodologia baseada na construção gradual da autoridade profissional por meio de comunicação sóbria, produção de conteúdo com base científica e fortalecimento da reputação ao longo do tempo.
Segundo a especialista, o paciente tende a valorizar profissionais que demonstram conhecimento técnico, responsabilidade e segurança na forma como se comunicam.
Fiscalização deve continuar crescendo
Especialistas avaliam que o aumento da fiscalização não representa uma ação pontual, mas uma tendência que acompanha a expansão das redes sociais e do marketing digital na área da saúde.
Nesse cenário, clínicas e consultórios têm buscado revisar suas estratégias de comunicação para adequá-las às normas éticas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina.
A orientação é que médicos invistam em conteúdos educativos, esclarecimento à população e construção de autoridade profissional dentro dos limites previstos pela regulamentação, reduzindo riscos éticos e fortalecendo a confiança dos pacientes.
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