Responsabilidade Social • 11:11h • 27 de fevereiro de 2026
Mata Atlântica: de bioma devastado a exemplo de restauração florestal
Estratégias para restaurar floresta onde vivem 72% dos brasileiros
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Uma iniciativa de restauração da Mata Atlântica, na Bahia, conseguiu reduzir em até 50% o tempo de crescimento de espécies nativas e formar florestas mais produtivas e resilientes às mudanças climáticas. O resultado foi alcançado pela empresa brasileira de reflorestamento Symbiosis por meio do mapeamento genético das espécies.
O trabalho começou em 2014, com a coleta de material genético para identificar indivíduos com maior potencial de conservação e adaptação. A partir da seleção genética de 45 espécies nativas — como jacarandá, jequitibá, ipês e angicos — foi possível recuperar mil hectares do bioma. Muitas das árvores escolhidas são matrizes centenárias que sobreviveram ao histórico de exploração da floresta e apresentam alta capacidade de adaptação.
Além da seleção dos exemplares mais resilientes, as novas áreas foram planejadas para garantir variabilidade genética, reduzindo riscos associados à homogeneização e fortalecendo a estabilidade das populações restauradas.
Originalmente, a Mata Atlântica cobria cerca de 130 milhões de hectares no Brasil. Atualmente, restam 24% dessa área, sendo apenas 12,4% de florestas maduras e bem preservadas, distribuídas em fragmentos por 17 estados. A fragmentação compromete a diversidade genética e torna as espécies mais vulneráveis a eventos como secas e extremos climáticos.
Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a perda de biodiversidade afeta diretamente a oferta de serviços ecossistêmicos, como abastecimento de água, regulação do clima, qualidade do ar, controle de doenças e produtividade agrícola. A degradação também contribui para a intensificação de enchentes, secas e outros eventos extremos.
O cenário tem levado empresas a enxergar a restauração florestal não apenas como ação filantrópica, mas como investimento estratégico. Modelos de manejo sustentável permitem a exploração controlada de produtos madeireiros e não madeireiros, como óleos e essências, sem desmatamento total, mantendo o sequestro de carbono e a conservação ambiental.
Esse movimento integra iniciativas como o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, criado em 2009 com a meta de restaurar 15 milhões de hectares até 2050. Estudos indicam que, entre 1993 e 2022, 4,9 milhões de hectares entraram em regeneração natural, embora parte também tenha voltado a ser desmatada.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda é necessário ampliar políticas públicas, incentivos econômicos e pagamentos por serviços ambientais, já que 90% do território do bioma está em áreas privadas. A restauração em larga escala, além de recuperar a biodiversidade, pode gerar emprego e renda, contribuindo para o desenvolvimento sustentável.
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