Mundo • 12:50h • 16 de julho de 2026
Médico pode fazer marketing? Nova regra do CFM ampliou espaço para profissionais nas redes
Resolução permite divulgação de qualificação, estrutura de clínicas e conteúdo educativo, mas mantém limites contra sensacionalismo e promessas de resultado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
A ideia de que médicos são proibidos de fazer marketing ainda afasta muitos profissionais das redes sociais. Desde março de 2024, porém, uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) detalha o que pode ser divulgado e abriu novas possibilidades para a presença digital de médicos e clínicas.
A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite que profissionais utilizem redes sociais próprias para formar, manter ou ampliar a clientela, desde que respeitem critérios éticos, regras de identificação e limites para evitar sensacionalismo, concorrência desleal e promessas de resultado.
“Muitos profissionais excelentes deixam de atrair pacientes particulares porque têm medo de infringir as regras. O marketing para médicos existe, é legal e, quando bem feito, eleva o nível do mercado”, afirma Jovana Menezes, diretora da Joya Med.
O que médicos podem divulgar nas redes
Toda publicidade médica deve apresentar o nome do profissional, número de inscrição no CRM e a palavra “médico”. Para divulgar uma especialidade, também é necessário informar o Registro de Qualificação de Especialista, o RQE.
A norma permite mostrar a estrutura física da clínica, equipamentos disponíveis e publicar conteúdos educativos direcionados à população. A divulgação da qualificação técnica também pode fazer parte da estratégia de comunicação.
Segundo Jovana, a apresentação clara da formação, especialidade e estrutura oferecida pelo consultório ajuda o paciente a compreender melhor o perfil do profissional antes mesmo do primeiro atendimento
Antes e depois, elogios e promessas têm limites
A regulamentação mantém restrições ao sensacionalismo e à autopromoção excessiva. Elogios de pacientes não devem ser reproduzidos de forma reiterada e publicações com imagens de “antes e depois” precisam seguir finalidade educativa e critérios definidos pelo CFM.
Promessas de resultado e apelos comerciais exagerados também permanecem fora dos limites da publicidade médica ética.
“O paciente premium não busca a clínica que grita mais alto. Ele busca a que demonstra mais domínio técnico e mais seriedade. Um conteúdo educativo bem construído faz esse trabalho de forma muito mais eficaz”, avalia Jovana.
Presença médica nas redes também combate desinformação
Além da atração de pacientes, a comunicação digital pode ampliar a circulação de informações de saúde produzidas por profissionais qualificados.
Para Jovana, o receio de médicos em ocupar as redes também abre espaço para conteúdos sem respaldo científico e informações falsas sobre saúde.
“Quando o profissional qualificado se cala por medo das regras, quem ocupa esse espaço digital é quem não tem compromisso nenhum com a ciência. Comunicação médica sóbria e bem-feita não é vaidade, é uma forma de colocar informação confiável no lugar de desinformação”, conclui.
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