Economia • 13:11h • 23 de julho de 2026
Medo da fiscalização faz empresas deixarem de recuperar créditos de ICMS previstos em lei
Especialista alerta que recuperação de créditos tributários legítimos não deve ser confundida com fraudes fiscais investigadas pelos órgãos de controle
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Âncora1
O reforço das ações de fiscalização da Receita Federal e de outros órgãos de controle tem levado muitas empresas a reverem seus procedimentos tributários. Segundo especialistas, em meio ao aumento das investigações contra esquemas fiscais ilegais, alguns empresários passaram a evitar até mesmo a recuperação de créditos de ICMS garantidos pela legislação por receio de sofrer questionamentos.
Para profissionais da área tributária, é importante diferenciar mecanismos legais de recuperação de créditos das fraudes que envolvem a criação de créditos inexistentes ou o uso de documentos sem respaldo em operações reais.
Recuperação de créditos é um direito previsto na legislação
De acordo com Altair Heitor, contador, psicólogo e CFO da Palin & Martins, operações de grande repercussão acabam gerando insegurança no setor empresarial e alimentando a falsa impressão de que qualquer procedimento envolvendo créditos tributários representa um risco.
"Quando uma operação desse porte ganha destaque nacional, o debate deixa de estar restrito aos envolvidos e passa a atingir todo o setor. O problema surge quando processos técnicos e legais de recuperação de créditos de ICMS são colocados no mesmo contexto de práticas irregulares. São situações completamente diferentes, tanto do ponto de vista técnico quanto jurídico", afirma.
Segundo o especialista, a recuperação de créditos de ICMS está prevista na legislação e depende da comprovação de operações efetivamente realizadas, com documentação fiscal e registros contábeis adequados.
Fiscalização eletrônica elevou o nível de exigência das empresas
A recuperação de créditos tem como base o princípio da não cumulatividade do ICMS, previsto na Lei Complementar nº 87/1996 (Lei Kandir), além das normas específicas de cada estado.
Ao mesmo tempo, a digitalização da fiscalização ampliou significativamente a capacidade dos órgãos públicos de identificar inconsistências. Atualmente, sistemas eletrônicos cruzam automaticamente informações do SPED, notas fiscais eletrônicas, declarações tributárias e movimentações financeiras.
Segundo Altair Heitor, esse novo cenário exige controles internos mais rigorosos e documentação organizada para reduzir riscos fiscais.
Organização tributária se torna cada vez mais importante
Para o especialista, o ambiente tributário atual exige que empresas mantenham processos de auditoria, revisão de créditos e programas de compliance fiscal de forma permanente.
Ele ressalta que o maior risco não está no exercício de um direito previsto em lei, mas na realização de operações sem respaldo técnico ou documental.
"A recuperação de créditos de ICMS não é uma promessa de ganho fácil. Trata-se de um trabalho técnico, baseado em legislação, documentação e análise fiscal. Quanto mais o combate às fraudes avança, mais relevante se torna a atuação de profissionais qualificados e de empresas que construíram sua reputação com transparência e conformidade", conclui.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos