Saúde • 15:13h • 23 de junho de 2026
Menopausa ganha nova opção de tratamento com medicamento não hormonal aprovado pela Anvisa
Remédio atua diretamente no controle da temperatura corporal e surge como alternativa para mulheres que sofrem com ondas de calor e suores noturnos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Maxima Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Uma nova alternativa para o tratamento dos sintomas da menopausa acaba de chegar ao Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do fezolinetanto, medicamento não hormonal indicado para mulheres que enfrentam sintomas vasomotores moderados a intensos, como ondas de calor e suores noturnos.
A novidade amplia as opções terapêuticas disponíveis para um dos períodos mais desafiadores da vida feminina. Embora os fogachos sejam frequentemente tratados como algo natural da menopausa, eles podem afetar significativamente o sono, a produtividade, o bem-estar emocional e a qualidade de vida.
Como funciona o novo medicamento
Comercializado sob o nome de Veoza, o fezolinetanto atua diretamente no sistema nervoso central, em uma área do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal.
Durante a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio altera esse mecanismo, favorecendo episódios repentinos de calor intenso e sudorese. O medicamento bloqueia seletivamente o receptor NK3, ligado à neurocinina B, ajudando a restabelecer esse equilíbrio e reduzindo a frequência dos sintomas.
Diferentemente da terapia hormonal tradicional, o tratamento não utiliza estrogênio nem progesterona, característica que o torna uma alternativa para mulheres que possuem contraindicações ou que preferem outras abordagens terapêuticas.
Estudos apontam redução dos sintomas
Os estudos clínicos que embasaram a aprovação do medicamento envolveram mais de 3 mil mulheres. Em uma das análises, participantes que utilizaram a dose de 45 mg apresentaram redução de até 64% na frequência dos sintomas vasomotores após 12 semanas de tratamento.
Os resultados também indicaram melhora na qualidade do sono, no desempenho das atividades diárias e no bem-estar geral, fatores diretamente impactados pelos suores noturnos e pelas ondas de calor recorrentes.
Tratamento exige avaliação médica
Apesar do avanço, especialistas alertam que a novidade não deve ser encarada como uma solução única para todas as mulheres.
Segundo a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, cada paciente apresenta características clínicas específicas que precisam ser consideradas antes da escolha do tratamento.
A médica destaca que algumas mulheres continuam sendo boas candidatas à terapia hormonal, enquanto outras podem se beneficiar de alternativas não hormonais. A decisão deve levar em conta histórico médico, exames, medicamentos em uso e intensidade dos sintomas.
Automedicação não é recomendada
O fezolinetanto é administrado em comprimidos de 45 mg, uma vez ao dia, mas possui contraindicações que exigem atenção médica.
Entre elas estão hipersensibilidade ao princípio ativo, gravidez confirmada ou suspeita e uso simultâneo de determinados medicamentos que interferem em seu metabolismo. Os efeitos adversos mais relatados nos estudos incluem diarreia e insônia.
A chegada do novo tratamento representa um avanço importante para a saúde feminina, mas especialistas reforçam que o acompanhamento médico continua sendo fundamental para garantir segurança e eficácia durante a menopausa.
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