Economia • 15:51h • 10 de abril de 2026
Mercado de seminovos registra maior alta para início de ano em quatro anos
Mercado aquecido, crédito disponível e diferença de preço para zero-quilômetro impulsionam alta no valor dos seminovos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova PR | Foto: Divulgação/IBV
O preço dos automóveis leves usados no Brasil registrou no primeiro trimestre de 2026 a maior alta para o período nos últimos quatro anos. Dados do IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a variação de preços desse mercado, mostram valorização acumulada de 2,16% entre janeiro e março, o melhor desempenho para um início de ano desde 2022.
Somente em março, a alta foi de 0,71%. O resultado supera os 0,55% registrados em fevereiro, embora fique abaixo de janeiro, quando o indicador marcou 0,90%. O movimento confirma o aquecimento do mercado de usados em um cenário de consumo ainda sustentado por renda e crédito, mesmo com juros elevados.
Na comparação acumulada de 12 meses até março, o avanço chega a 7,33%. O percentual fica bem acima da inflação oficial medida pelo IPCA, que até fevereiro acumulava 3,81%, segundo o IBGE. Isso indica que, além da pressão inflacionária geral da economia, existe uma valorização específica no mercado automotivo de usados.
Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento está a diferença de custo em relação aos veículos zero-quilômetro. Com preços cada vez mais altos nas concessionárias, muitos consumidores encontram nos seminovos uma alternativa mais acessível, com maior variedade de marcas, modelos e faixas de preço.
Seminovos ficam mais valorizados com custo elevado dos carros novos
Outro elemento importante é o chamado efeito de base. No primeiro trimestre de 2025, o índice havia subido apenas 0,28%. Como o ponto de comparação estava mais baixo, o crescimento observado em 2026 aparece de forma mais intensa nos indicadores.
Na análise por modelos, os carros que mais valorizaram no trimestre foram VW Voyage, com alta de 5,5%, Fiat Uno, com 5,2%, e Fiat Palio, com 5%. Entre os 20 veículos acompanhados pelo levantamento, apenas o GM Classic apresentou desvalorização, com recuo de 0,2%.
Regionalmente, o Nordeste liderou a alta nos preços dos usados, com valorização trimestral de 2,30%. Em seguida aparecem Sudeste, com 2,17%, Sul, com 2,03%, Centro-Oeste, com 1,83%, e Norte, com 1,46%.
Entre os estados, Pernambuco registrou a maior variação no trimestre, com 3,56%. Rio Grande do Sul apareceu em seguida com 2,67%, e Minas Gerais com 2,66%. No recorte mensal de março, o Sudeste liderou novamente, com alta de 0,78%. São Paulo se destacou dentro da região ao registrar avanço de 0,97%, acima da média nacional.
Enquanto os carros usados a combustão seguem valorizados, o cenário é diferente para elétricos e híbridos. Modelos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de 44,6% até março. Nos híbridos, a perda média é de 25,9%, enquanto veículos comparáveis a combustão recuaram 21,6%.
Essa diferença reflete um mercado ainda em adaptação, influenciado por queda nos preços dos veículos elétricos novos, aumento da concorrência entre montadoras e estratégias comerciais mais agressivas.
Para consumidores do interior paulista, onde o carro costuma ter papel central na mobilidade diária, acompanhar esse comportamento de preços ajuda tanto na decisão de compra quanto no momento de venda ou troca do veículo.
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