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Economia • 10:53h • 06 de janeiro de 2026

Mercado ilegal de bets pode dominar apostas até 2026 e causar prejuízo bilionário ao Brasil

Estudos apontam avanço das operações clandestinas e especialista alerta para risco financeiro, emocional e ausência de políticas nacionais de prevenção ao vício em jogos

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mention | Foto: Arquivo/Âncora1

Avanço das bets ilegais ameaça renda das famílias e gera prejuízo bilionário
Avanço das bets ilegais ameaça renda das famílias e gera prejuízo bilionário

Um levantamento da YieldSec projeta que, até o fim de 2026, o mercado ilegal pode concentrar até 72% das apostas realizadas no Brasil, ampliando riscos financeiros e emocionais para milhões de brasileiros. O cenário ocorre em meio à transição regulatória do setor e à ausência de políticas públicas estruturadas de prevenção ao vício em jogos, fator que tende a agravar impactos sociais e econômicos.

Dados do Journal of Gambling Studies indicam que jogadores com comportamento de risco chegam a comprometer até 20% da renda mensal com apostas. Já estimativas da LCA Consultores apontam perdas anuais de cerca de R$ 10,8 bilhões em arrecadação e produtividade associadas ao avanço das bets ilegais e ao endividamento dos usuários.

O tema ganha relevância em um momento de fiscalização ainda limitada, aumento da vulnerabilidade financeira das famílias e entrada em vigor das novas regras nacionais para apostas, iniciadas em 2025. Para Jezriel Francis, CEO da plataforma Aposta Zero, a regulamentação tende a expor um problema que hoje permanece parcialmente invisível. Segundo ele, a formalização do setor deve ampliar denúncias, revelar jogadores endividados e trazer à tona casos de sofrimento emocional. “A regulamentação ilumina uma crise silenciosa e mostra o tamanho real do problema, especialmente porque o Brasil ainda não conta com políticas estruturadas de prevenção ao vício em jogos”, avalia.

Enquanto o marco regulatório avança, o crescimento acelerado do mercado ilegal amplia riscos diretos ao consumidor. Plataformas clandestinas operam sem verificação de idade, auditoria independente ou mecanismos de proteção, além de permitirem manipulação de odds, bloqueio de saques e coleta irregular de dados. A ausência de limites de perda e de ferramentas de autocontrole cria um ambiente propício a fraudes, endividamento e dependência comportamental.

Fator crítico: acesso restrito ao tratamento especializado

Clínicas voltadas ao vício em jogos ainda são concentradas em grandes centros urbanos e apresentam alto custo, o que deixa grande parte da população sem suporte. “Milhões de brasileiros ficam sem qualquer tipo de proteção e só percebem o problema quando o impacto financeiro e emocional já é grave. A combinação entre regulação incompleta e avanço do mercado ilegal tende a expor ainda mais essas situações”, afirma Francis.

Nesse contexto, soluções digitais de redução de danos ganham espaço como alternativa complementar. A Aposta Zero oferece ferramentas de autocontrole voltadas à recuperação da autonomia financeira e emocional dos usuários, com recursos de monitoramento de impulsos, definição de limites personalizados, trilhas educativas e apoio sigiloso. A proposta é ampliar o acesso ao cuidado, especialmente em regiões onde não há atendimento especializado.

Para o especialista, o debate sobre apostas no Brasil precisa ir além da arrecadação fiscal. “Estamos diante de um fenômeno que impacta diretamente a saúde pública e a renda das famílias. Se o mercado ilegal continuar crescendo nesse ritmo, milhões de pessoas seguirão expostas sem qualquer forma de proteção. O país precisa integrar regulação, fiscalização e políticas de prevenção, com apoio da tecnologia e da informação”, conclui.

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