Saúde • 10:14h • 30 de março de 2026
Mesmo proibido, cigarro eletrônico dispara entre jovens e expõe desafio regulatório
Dados do IBGE mostram avanço do vape entre jovens de 13 a 17 anos, mesmo com restrições legais em vigor desde 2009
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros aumentou de forma significativa nos últimos anos, mesmo com a proibição da comercialização desses produtos no país. Dados divulgados pelo IBGE na última semana apontam que a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já experimentaram vape passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, quase o dobro em cinco anos.
As informações fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e mostram que o crescimento ocorreu em todas as regiões do país. O avanço mais expressivo foi registrado no Centro-Oeste, onde o índice saltou de 23,7% para 42%. Em seguida aparecem as regiões Sul, com alta de 21% para 38,3%, e Sudeste, que passou de 19,6% para 31%.
Os dados também indicam diferenças por perfil. O uso é mais frequente entre meninas, com 31,7%, enquanto entre meninos o índice é de 27,4%. Entre estudantes da rede pública, a proporção chega a 30,4%, acima dos 24,9% observados na rede privada.
Apesar da proibição vigente desde 2009, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os dispositivos eletrônicos para fumar continuam disponíveis no mercado informal, tanto em pontos físicos quanto na internet. Esse cenário dificulta o controle de qualidade dos produtos e a fiscalização da venda para menores de idade.
Na avaliação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os números indicam limitações do modelo atual. Segundo a entidade, o consumo ocorre fora de qualquer controle sanitário, o que amplia os riscos para os usuários.
Dados de uma consulta pública realizada pela Anvisa em 2024 também entram no debate. De acordo com a agência, 58,8% das cerca de 14 mil contribuições recebidas se posicionaram contra a manutenção da proibição total, sugerindo preferência por algum tipo de regulação.
A Abrasel defende que a ausência de regras específicas impede a definição de padrões mínimos de qualidade, rotulagem e composição, além de limitar ações de prevenção e fiscalização mais efetivas.
Especialistas em saúde pública, por outro lado, costumam destacar os riscos associados ao uso desses dispositivos, principalmente entre jovens, incluindo dependência de nicotina e possíveis impactos respiratórios, ainda em estudo.
O avanço do consumo entre adolescentes mantém o tema em discussão no país, envolvendo saúde pública, regulação e acesso a produtos que, apesar de proibidos, seguem amplamente disponíveis.
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