Ciência e Tecnologia • 18:38h • 14 de junho de 2026
Metade das empresas ainda usa IA no improviso e perde potencial da tecnologia, aponta pesquisa
Levantamento revela que apenas 8% das companhias brasileiras atingiram estágio avançado de adoção da inteligência artificial; desafio está menos na ferramenta e mais na estrutura de dados
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Globalsys | Foto: Arquivo/Âncora1
A inteligência artificial se consolidou como uma das principais apostas das empresas para aumentar produtividade, reduzir custos e tornar processos mais eficientes. Na prática, porém, transformar esse potencial em resultados concretos ainda é um desafio. Um levantamento realizado pela TOTVS em parceria com a h2r insights & trends mostra que metade das organizações brasileiras utiliza IA de forma não estruturada, enquanto apenas 8% afirmam ter uma adoção considerada avançada.
Os números revelam uma realidade que começa a ficar mais evidente no mercado: investir em inteligência artificial não significa, necessariamente, conseguir extrair valor dela. Em muitos casos, as ferramentas já estão disponíveis, mas esbarram em um problema menos visível: a falta de integração entre os dados da própria empresa.
O gargalo está na organização das informações
Especialistas em transformação digital avaliam que a eficiência da inteligência artificial depende diretamente da qualidade e da organização das informações que ela recebe. Quando dados permanecem espalhados por diferentes sistemas, planilhas e plataformas que não se comunicam, a capacidade de análise e automação acaba sendo limitada.
Segundo Beto Yunes, CTIO da Globalsys, a discussão sobre IA muitas vezes ignora uma etapa essencial do processo. Ele explica que a tecnologia depende de uma base estruturada para entregar resultados consistentes e que dados desconectados comprometem a capacidade dos algoritmos de identificar padrões e apoiar decisões.
Empresas descobrem que só adotar IA não basta
O cenário tem levado muitas organizações a reverem suas estratégias de transformação digital. Em vez de investir apenas em novas ferramentas, cresce a preocupação em integrar sistemas e criar ambientes capazes de compartilhar informações em tempo real entre diferentes áreas do negócio.
Um exemplo é o setor de recrutamento e seleção, que vem incorporando recursos de inteligência artificial para triagem de currículos, análise de perfis e acompanhamento de processos. Em algumas empresas, a integração de plataformas permitiu reduzir tarefas manuais e melhorar a geração de relatórios e análises, ampliando o potencial de uso da tecnologia.
O desafio agora é transformar tecnologia em resultado
A expectativa é que os investimentos em inteligência artificial continuem crescendo nos próximos anos, mas a pesquisa indica que o diferencial competitivo pode não estar apenas na adoção das ferramentas. A capacidade de organizar dados, conectar sistemas e estruturar processos tende a ser um fator cada vez mais importante para que a IA deixe de ser uma promessa e passe a gerar resultados efetivos.
Nesse contexto, a integração das informações deixa de ser uma questão exclusivamente técnica e passa a ocupar espaço nas decisões estratégicas das empresas. Afinal, quanto mais dependente de dados é a inteligência artificial, maior é a importância da qualidade e da consistência das informações que alimentam esses sistemas.
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