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Variedades • 18:19h • 04 de junho de 2026

Metade do ano chegou e muita gente desistiu dos próprios planos; entenda o motivo

Especialista afirma que autossabotagem está mais ligada ao funcionamento do cérebro do que à falta de disciplina

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Key Press | Foto: Arquivo/Âncora1

Frustração, rotina e redes sociais: os fatores que fazem metas desaparecerem ao longo do ano
Frustração, rotina e redes sociais: os fatores que fazem metas desaparecerem ao longo do ano

Todo começo de ano costuma vir acompanhado de promessas: fazer exercícios, economizar dinheiro, mudar hábitos, estudar mais ou organizar melhor a rotina. Mas, quando o calendário chega ao meio do ano, muita gente percebe que várias dessas metas ficaram pelo caminho, junto com a sensação de motivação que existia em janeiro.

Segundo a neurocientista Carol Garrafa, especialista em desenvolvimento pessoal e CEO da Santé, isso acontece porque o cérebro tende a resistir a mudanças que exigem esforço contínuo e resultados demorados. No início, a empolgação costuma ser alta, mas ela diminui conforme a rotina volta ao normal e os resultados não aparecem rapidamente.

A especialista explica que o cérebro trabalha buscando conforto, previsibilidade e economia de energia. Por isso, metas muito grandes ou vagas acabam gerando mais resistência mental ao longo do tempo.

Metas amplas demais dificultam continuidade

Objetivos como “mudar de vida”, “ser mais saudável” ou “me organizar melhor” costumam parecer inspiradores no começo do ano, mas podem se tornar difíceis de sustentar na prática justamente por serem abstratos demais.

Segundo Carol Garrafa, o cérebro responde melhor quando consegue visualizar ações concretas e específicas dentro da rotina. Pequenas mudanças tendem a funcionar melhor do que transformações radicais feitas de uma só vez.

Caminhar algumas vezes por semana, reduzir o tempo nas redes sociais ou criar pequenas metas diárias costumam gerar menos desgaste mental e maior sensação de progresso ao longo do processo.

Rotina pesa mais do que motivação

Outro ponto destacado pela neurocientista é que depender apenas da motivação pode virar uma armadilha. A empolgação inicial naturalmente diminui depois que a novidade passa, e é justamente nesse momento que muitas pessoas abandonam as metas.

Segundo Carol, criar uma rotina mais favorável ajuda o cérebro a reduzir a resistência às mudanças. Pequenas estratégias, como deixar roupas de treino visíveis, manter livros próximos ou diminuir distrações dentro de casa, podem facilitar a criação de hábitos. A especialista afirma que, quanto mais previsível uma ação se torna, menor passa a ser o esforço mental necessário para executá-la.

Redes sociais aumentam sensação de frustração

A comparação constante nas redes sociais também aparece como um fator que interfere diretamente na continuidade das metas pessoais. A exposição frequente às conquistas e resultados de outras pessoas pode gerar sensação de atraso, ansiedade e incapacidade.

De acordo com Carol, muitas pessoas passam a focar apenas no que ainda não alcançaram e deixam de perceber os próprios avanços, mesmo que pequenos.

Recomeçar no meio do ano pode ser mais saudável

Apesar da frustração comum nessa época do ano, especialistas afirmam que o meio do ano pode ser um momento mais equilibrado para retomar objetivos abandonados.

Sem a pressão simbólica das promessas de janeiro, as metas tendem a ficar mais realistas e adaptadas à rotina atual, o que aumenta as chances de continuidade.

Para Carol, ajustar expectativas e abandonar metas incompatíveis com a própria realidade pode ser mais eficiente do que insistir em mudanças impossíveis de sustentar no longo prazo.

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