Responsabilidade Social • 15:49h • 13 de fevereiro de 2026
Meu filho adolescente quer ir sozinho para o Carnaval: como lidar com esse momento?
Diálogo, combinados claros e construção de confiança ajudam famílias a equilibrar autonomia e segurança na adolescência
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Jundu Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O pedido para ir sozinho ao Carnaval com os amigos costuma gerar medo, insegurança e dúvidas nos pais, especialmente quando envolve multidões e exposição a riscos. Mais do que decidir entre autorizar ou proibir, o momento marca uma etapa importante no processo de construção da autonomia do adolescente e pode ser conduzido com diálogo, acordos claros e acompanhamento responsável.
Segundo a psiquiatra Danielle Admoni, especialista em infância e adolescência, supervisora da residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, a confiança não começa na adolescência, ela é construída desde a infância, com escuta aberta e concessão gradual de liberdade. “Quando os pais conseguem ouvir sem reagir de forma punitiva ou alarmista, o adolescente aprende que pode conversar e pedir ajuda”, afirma.
A adolescência é um período de transição em que o jovem começa a experimentar maior independência. Esse movimento é esperado e saudável para o desenvolvimento emocional, ainda que desperte apreensão nos adultos. Dizer “não” de forma automática pode fechar canais de diálogo e incentivar atitudes escondidas. Por outro lado, um “sim” sem critérios e combinados pode transmitir a ideia de ausência de cuidado.
O caminho do meio passa por conversas francas. Perguntar como o adolescente imagina o evento, o que espera da experiência e como pretende agir diante de situações de risco ajuda a estimular responsabilidade. Ao mesmo tempo, os pais podem compartilhar seus receios de forma equilibrada, sem dramatização ou controle excessivo.
A confiança é construída em pequenas experiências bem-sucedidas, acordos respeitados e comunicação constante. Ao demonstrar disponibilidade e apoio, os pais reforçam que liberdade vem acompanhada de responsabilidade e que pedir ajuda é parte do processo de amadurecimento.
Orientações práticas antes de autorizar
Antes da saída, algumas medidas simples podem reduzir riscos e aumentar a segurança:
- Avaliar a maturidade do adolescente, não apenas a idade. Começar por blocos menores ou eventos organizados pode ser uma alternativa mais segura;
- Saber com quem o jovem estará e reforçar a importância de permanecer junto ao grupo de amigos durante toda a programação;
- Orientar cuidados com o celular, como manter o aparelho guardado em doleira por dentro da roupa e evitar uso prolongado em locais abertos. Cordões de segurança podem ajudar;
- Alertar para não aceitar bebidas abertas ou de desconhecidos, priorizando latas ou garrafas fechadas e incentivando a hidratação com água;
- Combinar formas simples de comunicação, como envio de mensagens periódicas para informar que está tudo bem.
Mais do que a festa em si, o Carnaval pode se tornar uma experiência de aprendizado sobre autocuidado, limites e escolhas. Preparar o adolescente para o mundo envolve permitir vivências progressivas, com suporte e orientação, fortalecendo o vínculo familiar e a construção da autonomia com responsabilidade.
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