• Sistema com inteligência artificial identifica dor em em recém-nascidos internados em UTIs neonatais
  • ECA Digital entra em vigor e muda regras para redes sociais no Brasil
  • Vocem perde para o Tanabi no Tonicão e se complica no Paulistão A4
  • FEMA firma convênio com hospital do Canadá e abre intercâmbio para estudantes de Medicina
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 14:47h • 15 de julho de 2025

Microplásticos no cérebro podem estar associados a mais casos de transtornos mentais

Estudos recentes em animais apontam risco neurotóxico dos microplástico; em humanos, consequências ainda são hipóteses, mas o consumo de ultraprocessados preocupa especialista

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Os pesquisadores citam evidências substanciais que associam o consumo de alimentos ultraprocessados a efeitos negativos na saúde mental.
Os pesquisadores citam evidências substanciais que associam o consumo de alimentos ultraprocessados a efeitos negativos na saúde mental.

Cada vez mais os alimentos ultraprocessados estão presentes na rotina das pessoas. Esses alimentos são produtos industrializados feitos a partir de ingredientes extraídos ou derivados de alimentos como óleos, gorduras, açúcar, amido e proteínas isoladas, combinados com aditivos químicos como corantes, aromatizantes, emulsificantes, conservantes e realçadores de sabor. Eles passam por diversas etapas de processamento industrial e contêm pouco ou nenhum alimento in natura. Macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes são alguns exemplos de ultraprocessados. O debate sobre o impacto desses tipos de alimentos na saúde das pessoas aumentou nos últimos anos, principalmente por apresentarem grande quantidade de microplásticos.

Em maio deste ano, foi publicada uma coletânea com quatro artigos na revista norte-americana Brain Medicine, que sintetizam evidências crescentes de que estes microplásticos podem estar se acumulando nos cérebros humanos e potencialmente contribuindo para o aumento global das taxas de transtornos mentais. Os artigos oferecem uma análise sobre como essas partículas plásticas podem estar afetando a saúde cerebral por meio de múltiplas vias biológicas interconectadas.

Os pesquisadores citam evidências substanciais que associam o consumo de alimentos ultraprocessados a efeitos negativos na saúde mental. Uma revisão abrangente publicada em fevereiro de 2024 pelo grupo BMJ – empresa global de conhecimento em saúde, que publica revistas médicas – mostrou que pessoas que consumiam esses alimentos tinham risco 22% maior de depressão, 48% maior de ansiedade e 41% maior de apresentar distúrbios do sono.

Abordando essa relação do consumo dos alimentos ultraprocessados com uma maior presença dos microplásticos no corpo humano, a professora Thais Mauad, da Faculdade de Medicina de São Paulo (FM) da USP, especialista em Anatomia Patológica, explica que alimentos embalados em plásticos – a maioria dos ultraprocessados – sofrem o processo de lixiviação de aditivos do plástico, ou seja, esses alimentos acabam sendo contaminados com, por exemplo, o bisfenol e os microplásticos, compostos danosos à saúde. “Esse processo de contaminação pode se intensificar ao aquecer alimentos em recipientes plásticos. Por isso, há a hipótese de que o consumo de alimentos ultraprocessados leve a uma maior ingestão de microplásticos”, destaca a docente.

A especialista afirma que ainda não existem evidências que comprovem quais as consequências da presença de microplásticos no cérebro humano, entretanto, cita estudos realizados em outras espécies sobre o tema. “Em animais já existem pesquisas mostrando que os microplásticos são neurotóxicos e afetam vários mecanismos celulares, causando inflamação, estresse oxidativo e até danos ao DNA.”

Em humanos, Thais aponta que não existem evidências que comprovem a relação dos microplásticos com, por exemplo, doenças neurodegenerativas e explica o que a coletânea dos quatro artigos propõe. “O estudo cria essa hipótese de que a presença de microplásticos, aliada ao efeito deletério dos alimentos ultraprocessados, estaria sendo associada a doenças neurodegenerativas ou mentais, contudo, ainda é apenas uma hipótese.”

Sobre as alternativas para evitar toda essa exposição aos microplásticos, a professora afirma que é praticamente impossível, mas elenca a alimentação como alternativa para contornar esses riscos, sobretudo em crianças pequenas. “Se as pessoas evitarem consumir alimentos ultraprocessados, embalados em plástico, não esquentarem alimentos em plástico, não usarem isopor na alimentação nem colocarem bebidas quentes em plástico descartável, todas essas ações podem colaborar para o bem da saúde da população e diminuir a exposição a essas partículas.”

Thais destaca que já existe um tratado internacional voltado à redução da poluição por plásticos, o Tratado Global do Plástico, que atualmente está em sua quinta e última versão. “Mais de 100 países adotaram uma postura ambiciosa nas negociações, defendendo a redução da produção de plásticos não essenciais e a regulamentação mais rígida dos aditivos químicos que são incorporados aos plásticos e representam riscos à saúde.”

Contudo, a pesquisadora lamenta que o Brasil não tenha assumido uma posição firme no Acordo de Início que resultou no Tratado Global do Plástico, recentemente assinado por mais de 100 países. “Assim como outros integrantes do Brics, o País optou por não aderir à proposta, o que é uma grande decepção. Esperamos que o Brasil reveja essa postura, porque a poluição plástica representa um dano ambiental imensurável para a humanidade e precisa ser combatida da maneira mais urgente possível.”

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 18:48h • 14 de março de 2026

Sistema com inteligência artificial identifica dor em em recém-nascidos internados em UTIs neonatais

Ferramenta criada por pesquisadores da FEI e da Unifesp analisa expressões faciais de recém-nascidos e reduz subjetividade na avaliação clínica

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 17:32h • 14 de março de 2026

Como cuidar de gatos idosos e garantir qualidade de vida na terceira idade felina

Especialista Nathali Vieira orienta tutores sobre alimentação, acompanhamento veterinário e adaptações no ambiente doméstico

Descrição da imagem

Educação • 16:29h • 14 de março de 2026

Unesp lança guia para orientar uso de inteligência artificial na graduação

Documento estabelece diretrizes para estudantes, professores e servidores e reforça princípio de transparência no uso de ferramentas digitais

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 16:03h • 14 de março de 2026

Conheça a cidade alagoana que une o Velho Chico e a história do cangaço

Localizada no interior do estado, a cidade de Piranhas surpreende com passeios pelos cânions do rio São Francisco, arquitetura colonial e culinária ribeirinha

Descrição da imagem

Variedades • 15:26h • 14 de março de 2026

Há 150 anos, o primeiro telefone iniciava a revolução na comunicação humana

Evolução na forma como nos comunicamos deu um salto a partir da metade dos anos 1990, com a Lei Geral de Telecomunicações e a criação da Anatel, pavimentando o caminho para a universalização dos serviços

Descrição da imagem

Policial • 15:01h • 14 de março de 2026

O que está por trás do treinamento de policiais para ocorrências de alto risco

Treinamento técnico, preparo psicológico e experiência prática formam a base para decisões rápidas e seguras em cenários de alto risco

Descrição da imagem

Cidades • 14:36h • 14 de março de 2026

Cruzália promove campanha de prevenção ao câncer do colo do útero no dia 27

Ação do Março Lilás oferecerá exames preventivos e orientações de saúde na Unidade Básica de Saúde

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 14:07h • 14 de março de 2026

São Paulo avança em estratégia climática e reforça plano para neutralizar emissões até 2050

Conselho Estadual de Mudanças Climáticas debateu ações de adaptação, mitigação e segurança hídrica para enfrentar os impactos das mudanças do clima

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar