Saúde • 08:43h • 21 de janeiro de 2026
Ministério da Saúde mantém vacina contra herpes-zóster fora do SUS público
Alta de custos e baixo impacto orçamentário sustentável motivam decisão
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: CFF
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina recombinante adjuvada contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde. A medida foi formalizada em portaria publicada no Diário Oficial da União após avaliação técnica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. A análise concluiu que o imunizante apresenta custo elevado diante do impacto esperado na prevenção da doença.
O parecer da Conitec indica que a vacina é indicada para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. O comitê reconheceu a relevância da tecnologia para reduzir casos e complicações, porém ressaltou que o preço atual inviabiliza sua adoção em escala nacional. A Comissão destacou a necessidade de negociações para alcançar um valor compatível com a sustentabilidade do orçamento público.
O documento apresenta estimativas de gastos caso o imunizante fosse ofertado pelo SUS. Considerando a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano, o custo anual seria de R$ 1,2 bilhão. No quinto ano, a imunização dos 471 mil indivíduos remanescentes adicionaria outros R$ 380 milhões. O investimento acumulado em cinco anos alcançaria R$ 5,2 bilhões, levando à conclusão de que a tecnologia não seria custo-efetiva nas condições atuais.
A portaria publicada nesta semana informa que a avaliação poderá ser reaberta se surgirem novos elementos capazes de alterar o resultado técnico. O relatório também traz dados detalhados sobre o herpes-zóster, doença causada pela reativação do vírus varicela-zóster, que permanece no organismo após a catapora. A condição é mais frequente em idosos e pessoas com imunidade comprometida e provoca sintomas como queimação, coceira, manchas vermelhas e bolhas dolorosas que se concentram em um lado do corpo. O quadro costuma durar de duas a três semanas, mas pode gerar complicações neurológicas, dermatológicas e oculares.
No SUS, os casos leves são tratados com medicamentos para dor, febre e coceira, além de orientações de higiene e cuidados com a pele. Em situações de maior risco, recomenda-se o antiviral aciclovir. Dados dos sistemas ambulatoriais e hospitalares do SUS registraram 85.888 atendimentos e 30.801 internações por herpes-zóster entre 2008 e 2024. No mesmo período analisado pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade, entre 2007 e 2023, houve 1.567 mortes pela doença, com 90% dos óbitos concentrados em pessoas com 50 anos ou mais e mais da metade em idosos acima de 80 anos.
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