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Saúde • 08:04h • 25 de outubro de 2025

Ministro defende inclusão da gravidez na adolescência no debate político e social

O ministro da Saúde afirma que reduzir a desigualdade na América Latina depende de políticas eficazes para prevenir a gravidez na adolescência, com participação de escolas, igrejas e acesso ampliado à saúde reprodutiva

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

No Brasil, 12% dos nascidos vivos têm mães adolescentes.
No Brasil, 12% dos nascidos vivos têm mães adolescentes.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou na terça-feira (21) que não é possível reduzir a desigualdade no Brasil e na América Latina sem atacar os casos de gravidez na adolescência. Para ele, o tema precisa ser discutido em alto nível político, além de ser abordado nas escolas e nos espaços religiosos.

“Não tem como enfrentar esse tema sem promover um profundo diálogo com as lideranças religiosas que estão em nossos territórios”, disse Padilha durante o evento Futuro Sustentável – Prevenção da Gravidez na Adolescência na América Latina e Caribe, promovido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em Brasília.

Segundo o ministro, o Ministério da Saúde está reorganizando a atenção primária para que profissionais saiam da estrutura das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e conheçam melhor os territórios onde atuam, uma medida necessária após o impacto da pandemia de covid-19.

Padilha destacou que os espaços de convivência das igrejas podem ser estratégicos para o diálogo, sobretudo em comunidades mais vulneráveis, e reforçou a necessidade de abordar o tema também nas escolas. “Não tem como enfrentar a gravidez na adolescência se não conseguirmos dialogar com essas instituições, que muitas vezes escondem o protagonismo e a importância das mulheres”, afirmou.

O evento regional reúne governos, organismos internacionais e especialistas para fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção da gravidez na adolescência. Segundo a UNFPA, embora a região apresente queda nos índices, a América Latina e o Caribe ainda registram a segunda maior taxa de fecundidade adolescente do mundo, atrás apenas da África Subsaariana. A cada 20 segundos, uma adolescente se torna mãe na região, totalizando cerca de 1,6 milhão de nascimentos por ano.

No Brasil, 12% dos nascidos vivos têm mães adolescentes, um reflexo da pobreza, evasão escolar e desigualdade de gênero. “Não se pode falar em gravidez desejada na adolescência. Muitas vezes, ocorre pela falta de acesso à informação, tecnologias e direitos básicos, incluindo proteção contra violência”, afirmou Padilha. Ele lembrou ainda os impactos sociais, econômicos e educacionais para mães e filhos.

O ministro ressaltou que a questão deve ocupar espaços de decisão governamental e social, já que adolescentes frequentemente não têm voz para pressionar a sociedade sobre suas demandas. Ele também destacou o papel da presidência brasileira no Mercosul, que colocará o tema na pauta regional.

Entre as medidas do governo, Padilha citou a caderneta digital do adolescente e a incorporação do implante contraceptivo Implanon no SUS, com objetivo de ampliar o acesso à contracepção segura. Projetos piloto mostraram que o Implanon é uma das tecnologias mais eficazes para a população adolescente, com aplicação possível por enfermeiros na atenção primária.

“Se a América Latina se reúne e encontra em sua diversidade aquilo que temos em comum, conseguimos construir políticas públicas mais fortes que transformam a realidade da região de forma rápida e eficaz”, concluiu o ministro.


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