Saúde • 12:36h • 12 de fevereiro de 2026
Mochila escolar não deve ultrapassar 10% do peso da criança; excesso pode causar dor e alterar postura
Especialista orienta pais sobre sinais de alerta e quando buscar avaliação profissional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tinteiro Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Com o início do ano letivo, o peso da mochila volta ao centro das preocupações de pais e escolas. Quando a carga ultrapassa o limite recomendado ou é transportada de forma inadequada, podem surgir dores nas costas, nos ombros e no pescoço, além de alterações posturais ainda na infância e adolescência.
Estudos internacionais indicam que cerca de 12% das crianças e adolescentes relatam dor lombar em determinado momento. Ao longo de um ano, esse percentual pode superar 30%, com tendência de aumento progressivo conforme a idade. O dado reforça a importância da prevenção precoce no ambiente escolar e em casa.
Segundo a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, o retorno às aulas é um momento estratégico para ajustar hábitos. “Dor nas costas não precisa fazer parte da infância. Quando o corpo recebe uma carga maior do que consegue sustentar, o aluno passa a compensar com a postura, a marcha e a tensão muscular. Corrigir no início costuma evitar a progressão do problema”, afirma.
Quanto a mochila deve pesar
A referência mais adotada no Brasil estabelece que o peso da mochila não ultrapasse 10% do peso corporal da criança ou do adolescente. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda esse parâmetro e reforça a importância do ajuste correto das alças e do tamanho adequado do modelo.
Orientações
- Criança com 30 kg: mochila de até 3 kg;
- Criança com 40 kg: mochila de até 4 kg;
- Adolescente com 50 kg: mochila de até 5 kg.
Três fatores costumam estar por trás das queixas mais comuns: excesso de peso, má distribuição interna dos materiais e uso incorreto, como carregar a mochila em apenas um ombro ou deixá-la muito baixa nas costas.
Sinais de alerta
Os pais devem observar queixas repetidas após o período escolar, como dor nos ombros, no pescoço ou na região lombar, marcas profundas das alças na pele, formigamento nos braços, fadiga ao caminhar ou necessidade de inclinar o tronco para compensar o peso.
Mudanças comportamentais também merecem atenção, como recusa em carregar a mochila, irritação ao chegar da escola, redução da prática de atividades físicas e postura mais curvada ao sentar ou andar.
Medidas simples que ajudam
Pequenos ajustes podem reduzir a sobrecarga na coluna:
- Levar apenas o material necessário para o dia
- Utilizar as duas alças, bem ajustadas e próximas ao corpo
- Posicionar objetos mais pesados encostados nas costas
- Evitar mochilas maiores do que o necessário
- Planejar a semana para não acumular materiais extras
O estímulo à atividade física também é importante, já que sedentarismo e baixa força muscular do tronco podem aumentar a predisposição à dor.
Mochilas de rodinhas são solução
Modelos com rodinhas podem reduzir a sobrecarga nas costas, especialmente em dias com maior volume de material. No entanto, o uso inadequado, como puxar sempre com o mesmo braço ou levantar o acessório de forma incorreta ao subir escadas, pode gerar desequilíbrios e dores.
A orientação é alternar o braço durante o trajeto, manter a alça ajustada à altura adequada e, ao subir escadas, utilizar as alças acolchoadas para distribuir melhor o peso.
Quando procurar avaliação
A avaliação profissional é indicada quando a dor persiste por semanas, limita atividades simples, vem acompanhada de formigamento ou perda de força, surge após quedas ou piora durante a noite.
“O objetivo não é alarmar, mas entender que dor não é parte normal da rotina escolar. O corpo sinaliza quando algo precisa ser ajustado”, conclui Mariana Milazzotto.
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