Saúde • 15:09h • 28 de janeiro de 2025
Modelo hospitalocêntrico versus atenção psicossocial: qual o impacto na saúde mental?
Saiba como os modelos de atendimento hospitalocêntrico e a atenção psicossocial moldam o tratamento da saúde mental
Da Redação | Com contribuições de Anna Betine | Foto: Arquivo/Âncora1
A saúde mental tem se tornado um tema cada vez mais relevante, com a sociedade buscando entender melhor os diferentes modelos de atendimento e suas implicações. A psicóloga Anna Betine propõe uma reflexão sobre duas abordagens predominantes na área da saúde mental: o modelo Hospitalocêntrico Medicalizador e o modelo da Atenção Psicossocial.
Modelo Hospitalocêntrico Medicalizador
O modelo Hospitalocêntrico Medicalizador tem sido amplamente utilizado em tratamentos de saúde mental. Este modelo é caracterizado por um foco na resolução de sintomas, utilizando diagnósticos e medicamentos como ferramentas principais. A abordagem é centrada na intervenção remediativa, muitas vezes sem uma investigação profunda das causas dos distúrbios.
A medicalização da saúde mental é vista por alguns como uma solução rápida para aliviar os sintomas, mas essa prática ignora as complexidades do adoecimento mental. Além disso, o modelo hospitalocêntrico é criticado por adotar métodos invasivos, como lobotomias e terapia do choque, que são considerados obsoletos e até prejudiciais.
Apesar de ter sido uma abordagem dominante por muitos anos, esse modelo acaba por reforçar estigmas relacionados à saúde mental, com expressões populares como "louco come b***a e rasga dinheiro", que minimizam a seriedade dos transtornos mentais e desumanizam as pessoas que enfrentam essas condições. Esse tratamento centrado no sintoma, em vez de na pessoa como um todo, tem gerado questionamentos sobre sua eficácia e impacto a longo prazo.
Modelo da Atenção Psicossocial
Por outro lado, o modelo da Atenção Psicossocial busca tratar a saúde mental de maneira mais integrada e holística. Esse modelo não foca apenas na solução dos sintomas, mas também tenta entender a raiz do problema, abordando o indivíduo de forma integral. Uma das principais ferramentas desse modelo é o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que envolve um conjunto de práticas que incluem desde a psicoterapia até atividades complementares, como oficinas de arte, dança e música.
Essas oficinas terapêuticas, por exemplo, proporcionam um ambiente de sociabilidade e expressão, permitindo que os pacientes externalizem suas vivências e sofrimentos de maneiras criativas. Ao invés de apenas medicar, o modelo da Atenção Psicossocial foca no processo de significação do adoecimento, dando ao indivíduo o poder de elaborar e expressar seus sintomas de forma única.
O PTS é uma abordagem mais empática e humanizada, que reconhece a diversidade de experiências de cada paciente. Trata-se de um atendimento individualizado, respeitando as particularidades de cada história e considerando a complexidade do ser humano, o que torna o tratamento mais eficaz e significativo para aqueles que sofrem com distúrbios mentais.
Enquanto o modelo hospitalocêntrico medicalizador ainda é utilizado, muitas vozes têm se levantado em favor da Atenção Psicossocial, que vê a saúde mental de uma forma mais ampla e integrada. A psicóloga Anna Betine enfatiza a importância de se entender a saúde mental de maneira holística, considerando as múltiplas dimensões do ser humano, ao invés de simplesmente buscar uma solução para os sintomas. A forma como tratamos a saúde mental reflete diretamente na qualidade de vida das pessoas que enfrentam esses desafios. E, sem dúvida, a busca por abordagens mais humanas e personalizadas é o futuro do tratamento psicológico.
Psicóloga Anna Betine | CRP 09/145832
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