Mundo • 17:26h • 29 de junho de 2026
Monitoramento climático aponta mais de 95% de chance de El Niño no segundo semestre de 2026
Nota técnica de institutos meteorológicos brasileiros indica alta probabilidade de consolidação do fenômeno, que pode persistir até 2027 e afetar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do país
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: CPTEC/INPE
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Funceme e o Censipam, divulgou uma Nota Técnica Conjunta que atualiza as condições climáticas e as previsões para o fenômeno El Niño em 2026. O documento indica alta probabilidade de estabelecimento da fase quente do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) ao longo do segundo semestre do ano.
Segundo as projeções, há mais de 95% de chance de manutenção das condições de El Niño durante o período, com possibilidade de continuidade até o início de 2027. Os modelos climáticos também apontam que o evento pode atingir intensidade forte ou muito forte.
O ENOS é um fenômeno climático causado pela interação entre oceano e atmosfera na região equatorial do Oceano Pacífico, capaz de alterar padrões de circulação atmosférica e influenciar a distribuição de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. O El Niño corresponde à fase quente do sistema, caracterizada pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico.
De acordo com especialistas do INPE, pequenas variações no sistema podem influenciar diretamente a intensidade, duração e impactos do fenômeno em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, os efeitos do El Niño variam regionalmente. Na Região Norte, especialmente no leste da Amazônia, a tendência é de redução das chuvas e aumento das temperaturas, o que pode agravar períodos de seca e elevar o risco de incêndios florestais, além de afetar a navegação e o abastecimento de comunidades ribeirinhas.
No Nordeste, o fenômeno costuma estar associado a chuvas abaixo da média, principalmente no norte da região, com aumento das temperaturas e maior risco de estresse hídrico e queimadas.
No Centro-Oeste, a tendência é de temperaturas mais altas, com possibilidade de redução da umidade do ar e aumento do risco de incêndios, embora em alguns períodos possam ocorrer chuvas mais regulares.
No Sudeste, os impactos são mais variáveis, podendo alternar entre períodos mais chuvosos e estiagens localizadas, mas com predominância de temperaturas acima da média. Já na Região Sul, o padrão mais comum é de aumento das chuvas e maior frequência de eventos extremos de precipitação.
Os pesquisadores também destacam que o aumento das temperaturas é um dos efeitos mais recorrentes do fenômeno, podendo favorecer ondas de calor mais intensas e prolongadas, com impactos sobre a saúde da população.
As instituições reforçam que o período entre agosto e setembro deve exigir atenção especial, devido à combinação de calor, baixa umidade e maior risco de queimadas, especialmente no Brasil Central e no sul da Amazônia.
O INPE e os órgãos parceiros ressaltam ainda que cada evento de El Niño apresenta características próprias, o que faz com que os impactos variem em intensidade e abrangência. O monitoramento das condições oceânicas e atmosféricas continuará de forma permanente, com novas atualizações sendo divulgadas conforme a evolução do fenômeno.
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