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Saúde • 14:04h • 09 de março de 2026

Morte em unidade do Sesc reacende debate sobre saúde mental no trabalho

Caso ocorrido em unidade de São Paulo amplia denúncias de sobrecarga e reforça exigência legal para que empresas gerenciem riscos psicossociais

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação

Caso em São Paulo expõe denúncias de assédio e pressiona empresas sobre nova regra trabalhista
Caso em São Paulo expõe denúncias de assédio e pressiona empresas sobre nova regra trabalhista

A morte de um funcionário dentro do Sesc Pompeia, em São Paulo, no último fim de semana, reacendeu o debate nacional sobre saúde mental no ambiente de trabalho. O caso gerou mobilização de trabalhadores e trouxe à tona relatos de sobrecarga e assédio moral, ampliando a discussão sobre a responsabilidade das empresas na prevenção do adoecimento psicológico de seus colaboradores.

O episódio ocorre em um momento de mudança importante na legislação trabalhista. Desde maio de 2025, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, passou a exigir que empresas incluam os chamados riscos psicossociais em seus programas de saúde e segurança do trabalho. Entre esses riscos estão situações como assédio moral, pressão excessiva por resultados, conflitos organizacionais e ambientes considerados tóxicos.

Para Rodrigo Araújo, especialista em saúde ocupacional e CEO da Global Work, empresa brasileira voltada à saúde ocupacional, segurança do trabalho e qualidade de vida corporativa, o caso evidencia um problema estrutural ainda negligenciado em muitas organizações.

Segundo ele, o assédio moral e sexual no ambiente corporativo está entre os principais fatores associados ao adoecimento psicológico. O especialista afirma que a nova versão da NR-1 deixa claro que esses riscos devem ser tratados com o mesmo nível de atenção dedicado aos riscos físicos no ambiente de trabalho.

Rodrigo Araújo explica que ignorar situações como sobrecarga, ambientes de pressão constante ou comportamentos abusivos pode gerar consequências graves para os trabalhadores e também para as empresas.

O debate também ocorre em um cenário de crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental no Brasil. Dados do Ministério da Previdência apontam que transtornos psicológicos já estão entre as principais causas de afastamento do trabalho. Apenas em 2024, mais de 472 mil benefícios por incapacidade foram concedidos por esse motivo, o maior número registrado na última década.

De acordo com especialistas em saúde ocupacional, a legislação não se limita a estabelecer uma obrigação formal. As empresas passam a ter responsabilidade direta na identificação, monitoramento e prevenção de fatores que possam gerar adoecimento emocional entre os trabalhadores.

Nesse contexto, o primeiro passo para adequação à NR-1 é o mapeamento dos riscos psicossociais existentes na organização. Isso inclui avaliar situações como excesso de carga de trabalho, conflitos de liderança, metas incompatíveis com a estrutura disponível e ausência de políticas claras contra assédio.

Após esse diagnóstico, as empresas devem implementar programas estruturados de prevenção. Entre as medidas recomendadas estão treinamento de lideranças, criação de canais seguros de denúncia, acompanhamento de indicadores como absenteísmo e afastamentos médicos, além da oferta de suporte psicológico aos colaboradores.

Rodrigo Araújo observa que muitas organizações ainda adotam uma postura reativa, tratando o tema apenas quando surgem crises internas ou afastamentos. Segundo ele, esse é um dos principais erros cometidos pelas empresas, já que programas de saúde mental precisam ser implementados de forma preventiva, antes que o ambiente de trabalho se transforme em fator de risco.

Além dos impactos humanos, a negligência em relação à saúde mental também gera consequências econômicas. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Fórum Econômico Mundial indicam que doenças relacionadas à saúde mental provocam perdas superiores a R$ 400 bilhões por ano em produtividade no Brasil.

Outro ponto de atenção envolve os riscos legais. O descumprimento das normas de saúde e segurança pode resultar em passivos trabalhistas, danos à reputação das empresas e fiscalizações mais rigorosas por parte dos órgãos responsáveis. Para o especialista, a atualização da NR-1 representa uma mudança definitiva na forma como as organizações devem lidar com a saúde mental no trabalho.

Segundo Rodrigo Araújo, assim como as empresas criaram sistemas de prevenção para acidentes físicos ao longo das últimas décadas, agora precisam desenvolver mecanismos capazes de prevenir o adoecimento emocional. Ele afirma que o tema deixou de ser apenas uma pauta de recursos humanos e passou a representar um fator estratégico para a sustentabilidade das organizações.

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