Gastronomia & Turismo • 19:59h • 23 de setembro de 2026
Muito além do navio: cada R$ 1 investido em cruzeiros movimentou R$ 3,89 na economia brasileira
Temporada 2025/2026 levou mais de 600 mil passageiros aos mares e gerou impacto de R$ 4,76 bilhões entre portos, cidades e serviços
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MPor | Foto: Arquivo/Âncora1
Um navio atraca, centenas de passageiros desembarcam e o movimento começa. Tem transporte, restaurante, comércio, passeios, hotéis, abastecimento e uma extensa operação nos bastidores. Na temporada 2025/2026, essa engrenagem dos cruzeiros movimentou R$ 4,76 bilhões na economia brasileira e esteve associada a cerca de 72 mil postos de trabalho.
Os números fazem parte de um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), que considerou tanto os navios que viajaram entre portos brasileiros quanto as embarcações internacionais que passaram pelo litoral do país.
Só nos cruzeiros de cabotagem, 602.864 passageiros embarcaram durante a temporada. A atividade movimentou R$ 4,28 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões vieram diretamente dos gastos de passageiros e tripulantes nas cidades visitadas.
Um passageiro desembarca e a cidade se movimenta
É nesse momento que o impacto dos gigantes do mar chega às ruas. Alimentação, transporte, hospedagem, comércio e outros serviços recebem parte dos gastos de quem aproveita as horas em terra antes de retornar ao navio.
As próprias companhias movimentaram outros R$ 2,28 bilhões com operação e logística. Segundo o levantamento, a cada R$ 1 investido pelas empresas de cruzeiros, R$ 3,89 circularam pela economia brasileira. A cabotagem esteve associada a 64.529 postos de trabalho e R$ 166,3 milhões em tributos.
Os navios internacionais também entraram nessa conta. Foram 21 embarcações de longo curso em trânsito pelo Brasil, com impacto econômico de R$ 480,94 milhões, 7.500 postos de trabalho associados e R$ 51,15 milhões em impostos.
Portos se preparam para receber mais passageiros
O movimento também tem provocado mudanças em terra firme. Portos brasileiros vêm modernizando terminais para ampliar a capacidade de atendimento e receber embarcações de diferentes portes.
Em Maceió, por exemplo, o terminal de passageiros tem 5,6 mil m2 e capacidade para atender até 612 pessoas por dia. Estão previstas melhorias como estacionamento, novos equipamentos para controle de passageiros e bagagens e reforço na segurança.
No Pará, o Terminal Portuário de Outeiro foi requalificado para receber navios durante a COP30 e também foi projetado para abrigar embarcações utilizadas como hotéis flutuantes. A estrutura poderá integrar futuras rotas regulares de turismo marítimo.
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