Variedades • 15:31h • 08 de março de 2026
Mulheres dedicam mais de 1 mil horas por ano ao trabalho doméstico não remunerado
Estudo da PUCPR mostra que 90% dos cuidadores familiares no Brasil são mulheres e alerta para impactos na saúde e na carreira
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PG1 | Foto: Divulgação
Um estudo conduzido por pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) revelou que as mulheres brasileiras dedicam mais de mil horas por ano ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. A pesquisa analisa o impacto social e econômico das atividades realizadas dentro de casa, como cuidar de idosos, crianças, doentes e administrar as tarefas domésticas.
Intitulado “Mulheres cuidadoras em ambiente familiar: a internalização da ética do cuidado”, o estudo mostra que cerca de 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, com média de idade de 48 anos. Em grande parte dos casos, elas são filhas, esposas ou netas responsáveis por familiares que necessitam de acompanhamento.
Segundo a pesquisadora Valquiria Elita Renk, professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Bioética da PUCPR, essa realidade está ligada a uma construção cultural histórica. “O trabalho do cuidado já está tão naturalizado que as demandas do cuidado com idosos, crianças e pessoas doentes, além das tarefas domésticas, são vistas como uma responsabilidade feminina e acabam sendo realizadas durante anos sem qualquer remuneração ou reconhecimento”, explica.
A pesquisa utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2022), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números mostram que as mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais que os homens em tarefas domésticas e atividades de cuidado.
Quando esse tempo é projetado ao longo de um ano, a diferença ultrapassa mil horas de trabalho adicional, realizado sem remuneração ou compensação financeira, apesar de ser considerado essencial para o funcionamento da vida familiar e da própria sociedade.
Além da análise estatística, o estudo também utilizou abordagem qualitativa, com entrevistas realizadas com 18 mulheres de áreas urbanas e rurais do Paraná e de Santa Catarina. Todas eram responsáveis pelo cuidado de familiares idosos, doentes ou com deficiência.
O levantamento também analisou documentos e dados de instituições como ONU Mulheres, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Sistema de Contas Nacionais brasileiro. Os resultados apontam que a sobrecarga recai com maior intensidade sobre a chamada “Geração Sanduíche”, formada por mulheres que precisam conciliar simultaneamente trabalho formal, gestão da casa e cuidado com filhos e familiares idosos.
Além do impacto econômico invisível, o estudo destaca consequências para a saúde física e mental das cuidadoras. Entre os relatos coletados pelas pesquisadoras aparecem quadros de exaustão, solidão, cansaço extremo e episódios de depressão. Para as autoras, o cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao reconhecimento do trabalho de cuidado familiar. Países como Finlândia, Dinamarca e Espanha já adotam modelos que incluem remuneração ou apoio estatal para cuidadores familiares.
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