Economia • 08:52h • 08 de março de 2025
Mulheres empreendedoras no Brasil: desafios e conquistas revelados pela Pesquisa IRME 2024
A pesquisa destaca o impacto das mães no mercado empreendedor e as dificuldades financeiras enfrentadas por empreendedoras pretas e pardas, reforçando a importância da independência financeira e das políticas de apoio
Da Redação | Com informações da Casé Comunica | Foto: Arquivo/Âncora1
A Pesquisa IRME 2024, realizada pelo Instituto RME com o apoio da Rede Mulher Empreendedora, traz um panorama completo sobre a realidade das mulheres empreendedoras brasileiras. Com nove anos de estudo contínuo, o levantamento deste ano revela dados relevantes sobre a realidade econômica e social dessas mulheres, apontando desafios e oportunidades que continuam a moldar a participação feminina no empreendedorismo.
Um dos dados mais marcantes da pesquisa é que 73% das empreendedoras brasileiras são mães, e 37% delas são mães solo. De acordo com a empreendedora social Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, esse índice demonstra a realidade de muitas mulheres que, por conta da resistência do mercado de trabalho em aceitar mães como profissionais, se veem obrigadas a empreender. "É muito claro que as mães no mercado de trabalho ainda enfrentam grandes obstáculos, e o empreendedorismo acaba sendo a alternativa mais viável para muitas delas", explica Ana.
Desafios econômicos e sociais
A pesquisa também trouxe à tona a diferença entre as realidades econômicas das mulheres brancas e das mulheres pretas e pardas. 52% das empreendedoras pretas e pardas enfrentam dívidas, um número significativamente maior do que os 45% das mulheres brancas. Além disso, 49% das empreendedoras negras e pardas faturam até R$ 2.000 mensais, enquanto apenas 36% das brancas estão nessa faixa de faturamento.
O estudo ainda revela que a principal motivação das empreendedoras é a independência financeira, especialmente entre mulheres pretas e pardas, com 48% delas buscando no empreendedorismo a autonomia econômica. Para as mulheres brancas, a flexibilidade de horário é uma das razões mais citadas para o desejo de iniciar um negócio próprio (41%).
A sobrecarga das mulheres empreendedoras
Outro dado alarmante da pesquisa é que 50% das empreendedoras não recebem nenhum tipo de ajuda em casa ou nos negócios. Isso revela a sobrecarga mental que muitas mulheres enfrentam, tentando equilibrar as demandas do empreendedorismo com os cuidados com a casa e a família. A falta de apoio no dia a dia é um dos principais desafios enfrentados por essas mulheres, o que impacta diretamente em sua saúde mental e bem-estar.
Ana Fontes ressalta a importância de políticas públicas e iniciativas que proporcionem capacitação e apoio financeiro às empreendedoras, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade social. Ela aponta que o empreendedorismo feminino não é apenas uma questão de gerar renda, mas também de empoderar mulheres, transformando suas realidades e criando oportunidades de negócios sustentáveis.
O papel da Rede Mulher Empreendedora
A Rede Mulher Empreendedora, que desde sua criação em 2010 tem impactado mais de 8,8 milhões de pessoas, continua sua missão de apoiar as mulheres em sua busca por autonomia econômica. A RME oferece capacitações, mentorias, acesso ao mercado por meio de marketplaces e programas de aceleração, além de proporcionar acesso a capital. O trabalho realizado pela RME visa fortalecer o protagonismo feminino no empreendedorismo, criando um espaço de apoio e colaboração.
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