Responsabilidade Social • 09:23h • 13 de maio de 2026
Mulheres negras do Norte e Nordeste são as mais afetadas pela fome
Insegurança alimentar é mais frequente na zona rural que na urbana
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Weverson Paulino
Lares chefiados por mulheres negras nas regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de insegurança alimentar grave no Brasil. Os dados fazem parte do estudo As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023), elaborado por Veruska Prado e Rute Costa e divulgado pela organização Fian Brasil.
Segundo as autoras, ser mulher e negra no país representa maior exposição às desigualdades e injustiças alimentares.
O levantamento aponta que os domicílios com maiores índices de insegurança alimentar são aqueles chefiados por mulheres negras, com taxa de 38,5%. Em seguida aparecem os lares liderados por homens negros, com 28,9%, mulheres brancas, com 22,2%, e homens brancos, com 15,7%.
A pesquisa mostra ainda que os domicílios chefiados por mulheres negras apresentam os piores cenários de insegurança alimentar em todas as regiões brasileiras, especialmente no Norte e no Nordeste.
Nessas regiões, quase metade dos lares liderados por mulheres negras enfrentava algum grau de insegurança alimentar: 46,3% no Norte e 45,7% no Nordeste.
As autoras destacam que a frequência da fome em lares chefiados por mulheres negras com trabalho formal é equivalente à encontrada em domicílios liderados por homens brancos em situação de trabalho informal.
O estudo também aponta diferenças regionais importantes. Sul, Sudeste e Centro-Oeste registram os melhores índices de segurança alimentar, principalmente entre famílias chefiadas por pessoas brancas.
Já Norte e Nordeste concentram os piores indicadores, sobretudo entre domicílios chefiados por pessoas negras, especialmente mulheres negras.
Outro dado destacado pela pesquisa é que a insegurança alimentar é mais frequente na zona rural do que na área urbana, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas voltadas ao campo.
Segundo o levantamento, a inserção no mercado de trabalho formal e o tipo de ocupação exercida influenciam diretamente a situação alimentar das famílias.
Mesmo entre domicílios chefiados por pessoas que se declararam empregadoras, foram observadas desigualdades relacionadas à raça.
Os lares comandados por pessoas brancas apresentaram índices de segurança alimentar superiores aos chefiados por pessoas negras.
Nesse grupo, os melhores resultados foram registrados entre mulheres brancas, com 95,2% de segurança alimentar, seguidas por homens brancos, com 93,8%, mulheres negras, com 89,4%, e homens negros, com 89%.
Para a pesquisadora Rute Costa, fatores estruturais de opressão vão além do simples acesso aos alimentos e influenciam diretamente a qualidade de vida e a saúde da população.
Ela destaca que a segurança alimentar responde de forma sensível às políticas sociais e afirma que períodos de maior investimento público apresentaram melhora significativa nos indicadores.
Segundo a pesquisadora, a retomada do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e o fortalecimento do Bolsa Família em 2023 demonstram a importância das políticas públicas no combate à desigualdade social.
O estudo analisou o período imediatamente anterior à saída do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciada em 2025.
De acordo com os dados, a insegurança alimentar grave, considerada fome, caiu de 15,5% em 2022 para 4,1% em 2023.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos