Educação • 08:21h • 11 de março de 2026
Mulheres são maioria entre mestres e doutores formados pela Unesp
Aumento da presença feminina na autoria de artigos científicos, direção de departamentos e chefia de grupos de pesquisa refletem políticas de equidade adotadas nos últimos anos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
Em 8 de março de 1908, trabalhadoras têxteis de Nova York, nos Estados Unidos, foram às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho, salários justos e o direito ao voto. Anos depois, em 1917, mulheres operárias protestaram em Petrogrado, na Rússia, contra a fome, a Primeira Guerra Mundial e o regime czarista. A data passou a ser reconhecida oficialmente em 1975, quando a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional da Mulher.
A celebração destaca a luta pela equidade de gênero e o papel fundamental das mulheres na construção da sociedade. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), essa presença tem se ampliado especialmente no campo da pesquisa e da formação acadêmica.
Levantamento do Escritório de Gestão de Dados (EGD) da universidade mostra que as mulheres já são maioria entre os estudantes de graduação e pós-graduação. Elas ocupam 52,8% das vagas nos cursos de graduação e 54,7% na pós-graduação. Nos últimos cinco anos, dados do painel de fomento em ciência, tecnologia e inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também apontam crescimento constante da participação feminina na pesquisa, embora ainda haja predominância masculina no quadro geral de pesquisadores.
A liderança feminina também se destaca nos grupos de pesquisa. Dos 1.296 grupos registrados no CNPq em 2025 e sediados na Unesp, 831 — cerca de 64% — são coordenados por mulheres.
Indicadores do ranking internacional CWTS Leiden Ranking mostram ainda um aumento na participação feminina em publicações científicas da universidade nas áreas de ciências físicas e engenharia entre 2006 e 2023. Já nas pesquisas relacionadas às ciências biomédicas e da saúde, as mulheres foram maioria em todos os anos analisados.
Um dos exemplos de liderança feminina é o Centro de Pesquisa da Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), primeiro Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) com sede na Unesp, liderado pela bióloga Patrícia Morellato, professora do Instituto de Biociências de Rio Claro desde 1990. No centro, 56,3% dos bolsistas e estagiários são mulheres. Apesar disso, Morellato observa que ainda há desigualdade entre homens e mulheres nos cargos de pesquisadores principais.
Ao longo de sua carreira, a cientista relata ter enfrentado obstáculos ligados ao preconceito de gênero e à competitividade no meio acadêmico. Segundo ela, muitas vezes contribuições científicas feitas por mulheres não recebem o mesmo reconhecimento concedido a colegas homens.
A maternidade também aparece como um dos fatores que dificultam a continuidade da carreira acadêmica para muitas pesquisadoras. Para enfrentar esse desafio, a Unesp implementou políticas de apoio a gestantes e mães. Entre elas estão a licença-maternidade para alunas que não são docentes, com auxílio financeiro por seis meses, e dispositivos em editais que consideram a maternidade na avaliação de produtividade científica.
Nesses casos, quando uma pesquisadora teve filhos no período analisado, dois anos adicionais são acrescentados à avaliação de produção acadêmica, para compensar possíveis impactos na produtividade. Desde a implementação da medida, 96 professoras já foram beneficiadas em processos ligados à Iniciação Científica e Tecnológica.
Outra iniciativa da universidade é estimular a participação de pesquisadoras em premiações científicas. A Pró-Reitoria de Pesquisa analisa currículos e indica docentes e alunas para prêmios nacionais e internacionais voltados à valorização das mulheres na ciência. Entre os resultados está a conquista do Prêmio Ester Sabino, em 2022, pela linguista Maria Helena de Moura Neves.
Nas últimas cinco edições do Congresso de Iniciação Científica da Unesp, mulheres também conquistaram o primeiro lugar na área de Engenharias, evidenciando o avanço da presença feminina em campos historicamente dominados por homens.
Outro marco importante foi a eleição da professora Maysa Furlan como a primeira mulher reitora da Unesp. Com trajetória consolidada na área de química e na gestão universitária, ela já havia sido vice-reitora entre 2021 e 2025 antes de assumir o comando da instituição. Pela primeira vez, a universidade também passou a ter simultaneamente mulheres nos cargos de reitora e chefe de gabinete.
Nos últimos anos, a Unesp também registrou aumento na presença feminina em cargos de liderança acadêmica. As mulheres representam 50,8% dos coordenadores de cursos de graduação e 45,4% das coordenações de pós-graduação.
Apesar dos avanços, pesquisadoras ainda relatam episódios de machismo e desvalorização ao longo da carreira. Entre os relatos estão críticas injustificadas a projetos de pesquisa, cortes de financiamento e comentários que tentavam desestimular a atuação feminina na ciência.
Para enfrentar essas situações, a universidade tem ampliado ações institucionais de combate ao assédio moral e sexual. Em 2025, foi lançada a campanha “Unesp Sem Assédio — sem medo, sem impunidade”, que percorre as 34 unidades da instituição com palestras, orientações e canais de acolhimento.
Além disso, a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade oferece cursos sobre gênero e violência para estudantes, professores e funcionários, além de promover debates e eventos educativos.
Neste contexto, a universidade busca fortalecer um ambiente acadêmico mais inclusivo e com mais oportunidades para as mulheres. Segundo a reitora Maysa Furlan, a meta é garantir que pesquisadoras possam planejar e desenvolver suas carreiras em um espaço acolhedor e com igualdade de oportunidades.
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