Responsabilidade Social • 18:36h • 25 de julho de 2026
Mundo recicla apenas 24% do lixo eletrônico; especialista aponta mineração urbana como alternativa
Relatório da ONU mostra que milhões de toneladas de equipamentos descartados deixam de retornar à indústria; logística reversa é apontada como caminho para recuperar materiais valiosos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sing Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
O mundo gerou 65 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos em 2023, mas apenas 24% desse volume foi reciclado por sistemas formais. Os dados são do The Sustainable Development Goals Report 2026, da Organização das Nações Unidas (ONU), e evidenciam um desafio crescente para governos, empresas e consumidores.
Além do impacto ambiental, o descarte inadequado representa a perda de matérias-primas de alto valor, como ouro, prata, cobre, paládio e terras raras. Para especialistas, a chamada mineração urbana surge como uma das principais alternativas para reduzir a exploração de recursos naturais e fortalecer a economia circular.
Equipamentos antigos podem se transformar em novas matérias-primas
Ao contrário da mineração tradicional, que retira recursos da natureza, a mineração urbana recupera materiais presentes em equipamentos eletrônicos descartados para que eles retornem às cadeias produtivas.
Segundo Robson Esteves, presidente da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE), o baixo índice de reciclagem representa um enorme desperdício de recursos.
"Esse índice de 24% revela um desperdício enorme. Dentro desses equipamentos há ouro, prata, cobre, paládio e terras raras, materiais críticos e de alto valor agregado que, em vez de retornarem à indústria, acabam enterrados ou queimados", afirma.
Consumo de recursos naturais continua aumentando
O mesmo relatório da ONU mostra que o consumo doméstico de materiais no mundo cresceu 25% entre 2015 e 2022, passando de 92,1 bilhões para 115,1 bilhões de toneladas.
Nesse cenário, especialistas defendem que recuperar materiais já existentes nos produtos descartados pode reduzir a necessidade de novas extrações minerais, diminuindo os impactos ambientais e aumentando a disponibilidade de matérias-primas para a indústria.
Logística reversa depende da participação do consumidor
Para que a mineração urbana funcione, os equipamentos precisam chegar aos pontos de coleta destinados à logística reversa.
No Brasil, esse sistema é regulamentado pelo Decreto nº 10.240/2020, que estabelece a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, comerciantes, importadores, consumidores e recicladores na destinação correta de eletroeletrônicos e eletrodomésticos.
Segundo a ABREE, após serem entregues, os equipamentos passam por processos de triagem, desmontagem e separação dos componentes que podem ser reaproveitados.
Descarte correto fortalece a economia circular
Além de reduzir a quantidade de resíduos destinados a aterros, o reaproveitamento de metais e outros componentes contribui para cadeias produtivas mais sustentáveis e resilientes.
Antes de descartar celulares, computadores e outros equipamentos que armazenam dados, a orientação é fazer backup dos arquivos importantes, remover contas vinculadas e restaurar o aparelho às configurações de fábrica sempre que possível.
A ABREE disponibiliza em seu site uma ferramenta para localizar o ponto de recebimento mais próximo por meio do CEP, além da relação de equipamentos que podem ser entregues para reciclagem.
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