Ciência e Tecnologia • 18:31h • 03 de janeiro de 2026
Nanopartículas de óxido de ferro podem ajudar a impedir o avanço do câncer de mama
Para chegar aos resultados, fêmeas de camundongos com câncer de mama foram separadas em dois grupos e apenas um deles recebeu as nanopartículas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: CFF
Pesquisadores da Fiocruz concluíram mais uma etapa de um estudo que investiga o uso de nanopartículas de óxido de ferro para combater o câncer de mama. Os resultados mostraram que essas nanopartículas conseguiram impedir a multiplicação das células cancerígenas e também ajudaram a evitar que o tumor se espalhasse para outros órgãos, processo conhecido como metástase. As descobertas, publicadas no periódico Cancer Nanotechnology, reforçam o potencial das nanopartículas como terapia complementar. Apesar dos avanços, os pesquisadores destacam que ainda há várias etapas a cumprir antes de chegar à fase clínica, quando os testes são realizados em seres humanos.
Em pesquisas anteriores, já havia sido observado que as nanopartículas bloqueavam o crescimento do tumor. Com o novo estudo, os cientistas compreenderam de que forma esse processo ocorre e verificaram que as nanopartículas também impedem o espalhamento das células cancerígenas sem causar danos ao organismo. Segundo o pesquisador Carlos Eduardo Calzavara, da Fiocruz Minas, essas informações indicam que a pesquisa avança na direção de uma imunoterapia efetiva.
Para chegar aos novos resultados, fêmeas de camundongos com câncer de mama foram divididas em dois grupos e apenas um deles recebeu o tratamento com nanopartículas. Após um período de observação, os cientistas notaram que, entre os animais tratados, houve aumento de células chamadas natural killers (NKs), que atacam e eliminam células alteradas, como as cancerígenas. Também foi registrada a redução de neutrófilos, um tipo de célula que muitas vezes favorece a progressão do câncer.
Calzavara explica que o câncer costuma “enganar” o sistema de defesa do corpo, permitindo que o tumor cresça sem ser combatido. As nanopartículas, porém, parecem provocar um “despertar” do sistema imune, estimulando-o a reconhecer a ameaça e a reagir, ativando as células de defesa para destruir as células doentes. Segundo o pesquisador, o tumor de mama libera substâncias que mascaram sua presença e reduzem a resposta inflamatória, facilitando sua multiplicação. O estudo indica que a presença das nanopartículas induz um perfil inflamatório no microambiente tumoral, despertando o sistema imunológico para eliminar as células cancerígenas.
Outra observação importante foi a redução nos níveis da molécula MCP-1 nos animais tratados. Essa molécula está associada à formação de metástases no câncer de mama. Ao analisar pulmões e fígado dos camundongos, órgãos frequentemente afetados pela doença, os pesquisadores verificaram que, entre os animais que receberam as nanopartículas, havia menos focos de células tumorais nos pulmões. No fígado, a incidência de metástases não foi significativa em nenhum dos grupos.
Um estudo publicado em 2023 pelo mesmo grupo já havia demonstrado que as nanopartículas impediam o crescimento de tumores malignos de mama ao alterar o perfil de macrófagos, células de defesa que podem favorecer ou combater o tumor. Os cientistas explicaram que existem dois tipos principais de macrófagos: M2, de perfil anti-inflamatório e mais permissivos ao tumor, e M1, pró-inflamatórios e mais eficazes em limitar sua progressão. Com o uso das nanopartículas, o perfil dos macrófagos M2 foi reprogramado para M1, ajudando a inibir o desenvolvimento tumoral. Em testes com camundongos, o grupo observou redução de quase 50% na massa tumoral dos animais tratados. O novo estudo permite entender melhor de que forma essa reprogramação acontece.
Os resultados representam um avanço significativo no enfrentamento do câncer de mama, uma doença marcada por altas taxas de recidiva, resistência a tratamentos e efeitos colaterais severos, fatores que continuam causando muitas mortes em todo o mundo. Calzavara ressalta a importância de ampliar o leque de terapias disponíveis.
A expectativa é que a tecnologia possa complementar os tratamentos atuais, especialmente para pacientes que não respondem bem às terapias convencionais. No entanto, ainda são necessários novos estudos. O próximo passo envolve testes pré-clínicos, que avaliam possíveis efeitos colaterais, dosagem ideal, absorção, metabolização e excreção pelo organismo. Somente após essa fase poderão ser iniciados os testes clínicos em seres humanos.
Outras duas pesquisas estão começando: uma investiga o uso do efeito hipertérmico das nanopartículas e outra busca avaliar a possibilidade de associar medicamentos já usados em oncologia às nanopartículas, o que pode aumentar a eficácia do tratamento e reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia.
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