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Saúde • 08:59h • 20 de maio de 2026

Negacionismo reduziu expectativa de vida dos brasileiros em 3,4 anos durante a pandemia

Dado faz parte do Estudo Carga Global de Doenças, publicado este mês

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus

Os pesquisadores também defendem que o
Os pesquisadores também defendem que o "impacto da pandemia sobre a carga de doenças e a expectativa de vida poderia ter sido mitigado em todo o país", se o governo federal à época tivesse adotado essa mesma abordagem.

A expectativa de vida da população brasileira caiu 3,4 anos durante a pandemia de covid-19, período em que o país registrou aumento de 27,6% na mortalidade. Os dados fazem parte da análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, considerada a maior pesquisa internacional sobre o impacto de doenças e fatores de risco em mais de 200 países.

O levantamento foi publicado na edição de maio da revista científica The Lancet.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a queda na expectativa de vida esteve relacionada à condução da pandemia pelo governo federal à época, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento aponta que medidas científicas de prevenção foram enfraquecidas, com rejeição ao distanciamento social, disseminação de desinformação, incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada e demora na compra de vacinas.

Embora a redução da expectativa de vida tenha sido registrada em todo o país, os impactos variaram entre os estados. As maiores quedas ocorreram na Região Norte: Rondônia perdeu 6,01 anos de expectativa de vida, Amazonas 5,84 anos e Roraima 5,67 anos.

Já os menores recuos foram observados no Nordeste. Maranhão registrou queda de 1,86 ano, seguido por Alagoas, com 2,01 anos, e Rio Grande do Norte, com 2,11 anos.

De acordo com o estudo, parte dessa diferença pode estar relacionada às medidas adotadas pelos governos estaduais nordestinos durante a pandemia. Na ausência de coordenação nacional, os estados da região criaram um consórcio com apoio de um comitê científico independente para implementar estratégias de enfrentamento à covid-19.

Entre as medidas citadas estão distanciamento social, fechamento temporário de escolas e comércios, uso obrigatório de máscaras, políticas de proteção aos trabalhadores e monitoramento de dados em tempo real.

Os pesquisadores afirmam ainda que os impactos da pandemia sobre a mortalidade e a expectativa de vida poderiam ter sido menores caso medidas semelhantes tivessem sido adotadas em nível nacional. O estudo destaca que o desempenho brasileiro ficou atrás de outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, além de integrantes do Brics, como China e Índia.

O documento também aponta que, apesar do histórico brasileiro de sucesso em campanhas de vacinação, houve atraso no processo de imunização contra a covid-19 devido à falta de organização e à demora na aquisição de vacinas.

Apesar das perdas registradas durante a pandemia, o estudo mostra que o Brasil acumulou avanços importantes na saúde pública nas últimas décadas. Entre 1990 e 2023, a expectativa de vida aumentou 7,18 anos, enquanto a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5%.

O índice que mede anos saudáveis perdidos por morte ou doença também apresentou redução de 29,5% no período.

Os pesquisadores atribuem essa melhora a fatores como avanços no saneamento básico, crescimento econômico, ampliação da vacinação e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), além da criação do Programa Saúde da Família.

Nas últimas décadas, houve queda nas taxas de mortalidade da maior parte das principais doenças do país. As exceções foram doença de Alzheimer e outras demências, que tiveram aumento de 1%, e doença renal crônica, com crescimento de 9,6% entre 1990 e 2023.

Em 2023, a principal causa de morte no Brasil foi a doença isquêmica do coração, seguida pelo AVC e pelas infecções respiratórias inferiores. Já a principal causa de mortes prematuras foi a violência interpessoal. O estudo estima que o país perdeu 1.351 anos de vida a cada 100 mil habitantes em razão desse tipo de ocorrência.

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