Responsabilidade Social • 15:55h • 31 de janeiro de 2026
Número de brasileiros com mais de 60 anos dobra e desafia cuidados com mobilidade
População com 60 anos ou mais dobra em duas décadas e amplia debate sobre saúde das articulações
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da ATDC | Foto: Arquivo/Âncora1
O Brasil passa por um processo acelerado de envelhecimento populacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que 15,6% da população já tem 60 anos ou mais, o equivalente a mais de 32 milhões de pessoas. O percentual praticamente dobrou nas últimas duas décadas e deve crescer ainda mais nos próximos anos, ampliando o debate sobre envelhecimento ativo, autonomia e qualidade de vida.
Nesse contexto, a saúde de músculos, ossos e articulações assume papel central. A mobilidade está diretamente relacionada à independência funcional, à participação social e ao bem-estar ao longo da vida. Alterações articulares podem comprometer essas dimensões de forma progressiva, muitas vezes sem sinais evidentes no início.
Para esclarecer os impactos do envelhecimento na mobilidade e reforçar a importância da prevenção, a Zimmer Biomet, referência internacional em inovação ortopédica, ouviu o médico ortopedista Guilherme Morgado Runco. Segundo o especialista, as articulações devem ser encaradas como um investimento de longo prazo em saúde.
O médico explica que envelhecer faz parte do processo natural da vida, mas a perda de mobilidade não deve ser tratada como algo inevitável. O cuidado com as articulações, aliado a acompanhamento médico, prática de atividade física adequada e atenção aos sinais do corpo, é apontado como essencial para preservar autonomia e qualidade de vida ao longo dos anos.
Fortalecimento muscular e prevenção da artrose
Entre as condições mais comuns que afetam as articulações na maturidade está a artrose, doença degenerativa caracterizada pelo desgaste da cartilagem. Ela figura entre as principais causas de dor, limitação de movimento e perda de funcionalidade, especialmente em articulações como joelhos, quadris e mãos.
De acordo com Guilherme Morgado Runco, medidas preventivas podem retardar ou até evitar o surgimento da artrose. O fortalecimento muscular ajuda a absorver impactos e reduzir a sobrecarga direta sobre as articulações. Associado ao controle do peso corporal, à adoção de hábitos saudáveis e à redução de esforços repetitivos, esse cuidado contribui para proteger a cartilagem e preservar a função articular ao longo do tempo.
Acompanhamento e diagnóstico precoce
Outro ponto destacado pelo especialista é a importância do acompanhamento médico regular. Muitas pessoas tendem a considerar dores articulares como parte natural do envelhecimento, o que pode atrasar diagnósticos e limitar opções de tratamento.
Segundo o ortopedista, dor persistente, rigidez e dificuldade para executar movimentos do dia a dia não devem ser ignoradas. O diagnóstico precoce permite intervenções mais conservadoras e eficazes, favorecendo a manutenção da independência funcional por mais tempo.
Avanços da ortopedia no cuidado com a terceira idade
A ortopedia tem incorporado, nos últimos anos, novas tecnologias e técnicas que ampliam a precisão dos procedimentos e contribuem para uma recuperação funcional mais eficiente. Entre os exemplos estão os robôs cirúrgicos ROSA, da Zimmer Biomet, utilizados no Brasil em cirurgias de substituição articular de joelho e quadril.
Essas soluções combinam tecnologia robótica e dados coletados durante os procedimentos para apoiar o planejamento cirúrgico e a colocação adequada dos implantes, favorecendo alinhamento mais preciso e melhores resultados funcionais. O especialista ressalta, no entanto, que a cirurgia é indicada principalmente em estágios avançados da artrose e que o foco deve permanecer na prevenção, no diagnóstico precoce e no cuidado contínuo com as articulações.
A adoção de uma rotina com atividade física orientada, alimentação equilibrada, controle do peso e acompanhamento médico regular é apontada como caminho para preservar a saúde articular ao longo da vida e garantir que o movimento continue associado à autonomia e à qualidade de vida na população idosa.
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