Saúde • 08:34h • 21 de setembro de 2026
No Dia Mundial do Alzheimer, atenção se volta à autonomia e à saúde dos cuidadores
Preservar autonomia e oferecer suporte às famílias são partes essenciais do cuidado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O Alzheimer costuma ser associado à perda de memória, mas seus impactos avançam sobre a autonomia, a rotina e as relações familiares. Neste 21 de setembro, Dia Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer, a data chama atenção para uma condição que integra a realidade de milhões de famílias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, com quase 10 milhões de novos casos registrados a cada ano.
A doença de Alzheimer responde por aproximadamente 60% a 70% dos casos de demência. Embora a idade seja um importante fator de risco, a OMS ressalta que a demência não deve ser considerada uma consequência inevitável do envelhecimento.
Sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes, perda auditiva e isolamento social estão entre os fatores associados ao risco. Recomendações atualizadas em 2026 apontam que até 45% do risco de demência pode estar relacionado a fatores potencialmente modificáveis ao longo da vida.
Diagnóstico muda a rotina de toda a família
Para David Amorim, especialista em envelhecimento e pesquisador associado ao Marcus Institute for Aging Research, ligado à Harvard Medical School, compreender o Alzheimer exige olhar também para quem está ao redor do paciente.
“Quando uma pessoa recebe um diagnóstico de Alzheimer, não é apenas a vida dela que muda. A família também precisa reorganizar sua rotina, suas expectativas e sua própria relação com o cuidado”, afirma.
Familiares que assumem os cuidados podem enfrentar sobrecarga física e emocional, isolamento e sintomas de depressão. Ao mesmo tempo, essa responsabilidade está frequentemente ligada aos vínculos construídos com pais, mães e cônjuges, aspecto que também precisa ser considerado na assistência.
Autonomia deve ser preservada pelo maior tempo possível
Atividade física, controle da pressão arterial e do diabetes, alimentação equilibrada, estímulo cognitivo, participação social e cuidados com a saúde auditiva aparecem entre as medidas relacionadas à redução de fatores de risco modificáveis.
Para Amorim, o cuidado também precisa considerar aquilo que a pessoa ainda consegue realizar. “O objetivo deve ser preservar a funcionalidade e a autonomia pelo maior tempo possível. Mesmo diante de uma doença como o Alzheimer, o cuidado precisa continuar olhando para aquilo que a pessoa consegue fazer, para seus desejos e para sua dignidade”, explica.
O pesquisador trabalha atualmente na adaptação da ferramenta ICOPE, da OMS, para contextos de reabilitação de pessoas idosas depois de hospitalizações. O trabalho busca incorporar aspectos sociais e culturais à avaliação da capacidade da pessoa idosa, ampliando o olhar para além dos indicadores clínicos.
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