Variedades • 14:21h • 14 de junho de 2026
Notificações, vídeos curtos e ansiedade: como a dopamina artificial está mudando o cérebro
Excesso de notificações, vídeos curtos e redes sociais altera circuitos de recompensa, prejudica o sono, reduz a concentração e pode até influenciar o metabolismo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1
A dificuldade para manter a concentração, a vontade quase automática de conferir o celular e a sensação de cansaço mesmo depois de descansar podem ter uma origem em comum. Cada vez mais estudos associam o excesso de estímulos digitais a mudanças nos mecanismos cerebrais ligados à dopamina, neurotransmissor responsável por processos como motivação, aprendizado e busca por recompensas.
O fenômeno, conhecido como fadiga digital, ganhou força com a popularização das redes sociais, dos vídeos curtos e do consumo praticamente ininterrupto de conteúdo. Especialistas alertam que a hiperconectividade não interfere apenas na atenção, mas também pode afetar o sono, o comportamento alimentar e a saúde mental.
O cérebro passa a buscar estímulos cada vez mais rápidos
Segundo a endocrinologista e PhD Dra. Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma - O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor, existe uma ideia equivocada de que a dopamina está ligada apenas à felicidade. Na verdade, ela participa principalmente do mecanismo de antecipação de recompensas, incentivando a repetição de determinados comportamentos.
Na prática, notificações, curtidas e o chamado "scroll infinito" alimentam esse circuito de forma contínua. Com o tempo, o cérebro se acostuma a pequenas recompensas imediatas e atividades que exigem mais foco, como estudar, ler ou trabalhar sem interrupções, passam a parecer menos interessantes.
Os impactos vão além da dificuldade de concentração
Os efeitos da hiperconectividade também aparecem na qualidade do sono e na capacidade de recuperação do organismo. Estudos recentes já relacionam o uso intenso de mídias eletrônicas a um aumento de distúrbios do sono e do desgaste mental.
De acordo com a especialista, um cérebro que permanece hiperestimulado durante boa parte do dia tende a buscar compensações rápidas, o que pode favorecer episódios de fome emocional, impulsividade e uma sensação persistente de exaustão. A alternância constante entre aplicativos, mensagens e notificações também fragmenta a atenção e dificulta períodos mais longos de concentração.
Recuperar as pausas também faz parte do cuidado com a saúde
Para a endocrinologista, o problema não está apenas na quantidade de horas diante das telas, mas na ausência de momentos de descanso ao longo do dia. Reduzir o uso do celular antes de dormir, silenciar notificações não essenciais e criar períodos livres de estímulos digitais são estratégias que ajudam o cérebro a recuperar seu ritmo natural.
A especialista explica que o organismo precisa alternar momentos de atividade e recuperação para manter o equilíbrio. Em uma rotina marcada pela conexão permanente, reservar espaços para o silêncio, para atividades offline e para pausas reais pode ser tão importante quanto dormir bem ou manter uma alimentação equilibrada.
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