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Ciência e Tecnologia • 13:01h • 19 de outubro de 2025

Novas terapias para dor crônica trazem avanços em medicamentos e neuromodulação

Especialista da Unicamp destaca tecnologias que prometem maior precisão, segurança e qualidade de vida para pacientes

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

FDA aprova dispositivo inteligente para controle de dor com resultados promissores
FDA aprova dispositivo inteligente para controle de dor com resultados promissores

Os avanços científicos no tratamento da dor crônica têm transformado a abordagem médica e ampliado as opções de cuidado para milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% da população global convive com algum tipo de dor persistente, condição caracterizada pela alteração no sistema de percepção da dor, mesmo na ausência de estímulo externo, e que costuma durar mais de três meses.

O neurocirurgião Dr. Marcelo Valadares, especialista em dor crônica e responsável pela subárea de Neurocirurgia Funcional da Unicamp, destaca que as novas terapias farmacológicas e de neuromodulação representam um marco no tratamento desses pacientes. “Com a evolução nos tratamentos, podemos agir com mais precisão sobre os mecanismos da dor para restabelecer o sistema nervoso e não apenas aliviar o sintoma momentaneamente. Associadas a uma avaliação individualizada, essas abordagens aumentam a efetividade e melhoram de forma concreta a qualidade de vida”, explica.

Novos medicamentos ampliam possibilidades de controle

Nos últimos anos, a comunidade médica acompanhou a chegada de novos fármacos desenvolvidos para dores complexas, como fibromialgia e neuropatias.

Entre os destaques está o Tonmya (TNX-102 SL), primeiro medicamento voltado à fibromialgia aprovado em mais de 15 anos. De uso noturno e aplicação sublingual, ele atua na melhora do sono e na redução da dor difusa, aumentando o desempenho funcional dos pacientes.

Outro avanço é a suzetrigina (Journavx), analgésico não opioide aprovado pela FDA e considerado um marco na redução da dependência química associada a opioides. O medicamento bloqueia seletivamente o canal de sódio NaV1.8, responsável pela transmissão da dor nos neurônios periféricos, oferecendo controle eficaz e mais seguro.

Já na Ásia, medicamentos como mirogabalina (Tarlige) e crisugabalina (HSK16149), aprovados no Japão e na China, vêm se destacando no tratamento de neuropatias diabéticas e neuralgias pós-herpéticas. Ambas as substâncias atuam sobre os canais de cálcio com maior seletividade e menor risco de efeitos adversos como sonolência e tontura.

Avanços em neuromodulação: tecnologia a favor da dor

A neuromodulação, que utiliza estímulos elétricos ou magnéticos para regular a atividade dos circuitos neurais, é outra fronteira em rápida expansão. Em abril de 2024, a FDA aprovou o Inceptiv, primeiro estimulador de medula espinhal com circuito fechado, capaz de ajustar automaticamente a intensidade da estimulação conforme as respostas do sistema nervoso.

Os resultados clínicos após 12 meses mostraram que 82% dos pacientes com dor lombar crônica reduziram a dor pela metade, 50% diminuíram ou cessaram o uso de opioides e 87% apresentaram melhora na qualidade de vida. O primeiro implante do dispositivo foi realizado no Brasil em setembro de 2025, ainda sem previsão de acesso pelo sistema público de saúde.

“O Inceptiv representa um avanço real no controle da dor, com regulação automática e mais conforto para o paciente”, afirma o Dr. Valadares. Ele ressalta, porém, que a diferença entre inovação e acesso ainda é um desafio no país.

Outras abordagens, como a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS), também têm sido estudadas como complemento terapêutico, modulando regiões cerebrais envolvidas na percepção da dor, especialmente em casos de dor neuropática central.

Manejo integrado e acompanhamento contínuo

Embora as novas tecnologias tragam esperança, o especialista reforça que os tratamentos convencionais ainda desempenham papel fundamental. “Analgésicos, anti-inflamatórios, fisioterapia especializada, exercícios físicos e psicoterapia continuam sendo pilares no controle da dor moderada a severa”, afirma o médico, ressaltando que a combinação de terapias sob supervisão médica é essencial para garantir segurança e resultados duradouros.

Com uma abordagem cada vez mais personalizada e multidisciplinar, os avanços em farmacologia e neuromodulação marcam uma nova era no tratamento da dor crônica, oferecendo alívio e dignidade a pacientes que, por muito tempo, tiveram poucas alternativas de cuidado.

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