Saúde • 13:37h • 01 de abril de 2026
Novo medicamento contra HIV enfrenta barreiras de acesso global
Organização afirma que restrições ao lenacapavir limitam alcance global e dificultam uso em países vulneráveis
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MSF | Foto: Arquivo/Âncora1
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) enviou uma carta aberta à farmacêutica Gilead Sciences solicitando a venda do lenacapavir, medicamento considerado um avanço relevante na prevenção do HIV. Segundo a entidade, a empresa se recusou a fornecer o produto diretamente para uso em programas humanitários, o que pode limitar o acesso em regiões de maior vulnerabilidade.
O lenacapavir é uma opção de profilaxia pré-exposição de longa duração, administrada por injeção apenas duas vezes ao ano. A tecnologia é vista como alternativa importante diante dos desafios de adesão a tratamentos diários, especialmente em contextos de conflito ou com menor acesso a serviços de saúde.
A demanda ocorre em um cenário em que cerca de 1,3 milhão de pessoas são infectadas pelo HIV todos os anos no mundo, segundo dados citados pela organização. Para a MSF, ampliar o acesso a métodos preventivos mais eficazes é uma medida urgente.
De acordo com a entidade, o fornecimento do medicamento atualmente está restrito a um número limitado de países por meio de acordos internacionais. A orientação da farmacêutica é que a aquisição ocorra via Fundo Global, que prevê distribuição para até 2 milhões de pessoas ao longo de três anos, volume considerado insuficiente diante da demanda global.
A organização também aponta que diversos países onde atua não estão incluídos nos critérios de acesso, o que dificulta a implementação de estratégias de prevenção em populações consideradas de maior risco.
No Brasil, o medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em janeiro de 2026, mas ainda não há previsão de disponibilização. Entre os fatores apontados estão o custo elevado e as condições de negociação. Nos Estados Unidos, o tratamento pode chegar a cerca de US$ 28 mil por ano, enquanto fabricantes indicam a possibilidade de versões genéricas por valores significativamente menores.
Diante desse cenário, a MSF solicitou uma reunião com a farmacêutica para discutir alternativas de fornecimento, preços e prazos de distribuição. A entidade também defende a avaliação de medidas legais que possam ampliar o acesso ao medicamento em países de renda média.
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