Ciência e Tecnologia • 11:31h • 21 de janeiro de 2026
Novo protocolo do Google quer acabar com carrinho e site no e-commerce tradicional
Novo protocolo aberto permite que assistentes de IA descubram produtos, finalizem pagamentos e acompanhem pedidos sem sair da conversa, preparando varejistas para o comércio convencional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O Google anunciou na segunda-feira (20) o lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP), um padrão aberto e open-source criado para viabilizar o chamado agentic commerce, modelo em que agentes de inteligência artificial deixam de apenas recomendar produtos e passam a executar todo o processo de compra, da escolha ao pagamento e ao pós-venda.
Na prática, o UCP funciona como uma “linguagem comum” que conecta experiências baseadas em IA, como buscas conversacionais, negócios varejistas e meios de pagamento. O objetivo é reduzir a complexidade técnica que hoje exige integrações específicas para cada plataforma e preparar o comércio eletrônico para compras realizadas diretamente dentro de interfaces de inteligência artificial.
O desenvolvimento do protocolo contou com a colaboração de grandes nomes do varejo e do setor financeiro, como Shopify, Etsy, Wayfair, Target, Walmart, além de empresas de pagamento como Visa, Mastercard, Stripe, Adyen e American Express. A proposta é que qualquer empresa possa adotar o padrão sem depender de soluções proprietárias.
O que muda para o consumidor comum
Em termos simples, o UCP permite que uma pessoa encontre um produto, tire dúvidas, aplique descontos e finalize a compra sem sair de uma conversa com uma IA. Em vez de clicar em anúncios, acessar sites, preencher carrinhos e formulários, todo o processo pode acontecer dentro de ambientes como o AI Mode da busca do Google ou no aplicativo Gemini.
Segundo o Google, os primeiros usos do protocolo permitirão checkouts integrados nessas superfícies, com pagamento via Google Pay, utilizando dados já salvos na Google Wallet. A promessa é reduzir etapas, abandono de carrinho e fricção na jornada de compra.
Por que isso é relevante para empresas
Do ponto de vista técnico e estratégico, o UCP resolve um problema histórico do comércio digital: a necessidade de múltiplas integrações entre plataformas, varejistas e meios de pagamento. Com um padrão único, empresas passam a se integrar uma vez e se tornam aptas a vender em diferentes experiências de IA.
O protocolo também foi desenhado para ser interoperável com outros padrões emergentes ligados a agentes inteligentes, reduzindo dependência tecnológica e facilitando a adoção por diferentes sistemas.
Impacto no marketing e no e-commerce
Para o professor e especialista em marketing e inteligência artificial Wilson Silva, o UCP representa uma mudança estrutural no comércio eletrônico. Segundo ele, o modelo tradicional baseado em cliques e páginas de produto começa a perder centralidade. “O comércio sai do fluxo ‘clique, site, carrinho, checkout’ e entra no modelo ‘intenção, conversa, ação’. Quem se adaptar primeiro vai converter mais com menos atrito e reduzir custos de aquisição”, avalia.
Na análise do especialista, a vantagem competitiva passa a estar menos na mídia e mais na capacidade técnica de estar pronto para vender por meio de agentes de IA. Isso envolve dados de produto bem estruturados, políticas claras de entrega e troca, além de uma experiência de pós-venda eficiente.
Como empresas podem se preparar
De acordo com a orientação do Google, varejistas interessados em participar do ecossistema devem iniciar pelo Merchant Center, adotando o checkout nativo ou, em casos específicos, versões embarcadas mais personalizadas. A recomendação é revisar catálogos, políticas comerciais e integração de estoque para reduzir fricções que agentes de IA não conseguem contornar sozinhos.
O lançamento do UCP sinaliza que o comércio digital entra em uma nova fase, em que a compra deixa de ser uma sequência de telas e passa a acontecer dentro de conversas orientadas por inteligência artificial. Para consumidores, isso significa mais simplicidade. Para empresas, um alerta claro: estar preparado para vender via IA deixará de ser diferencial e passará a ser requisito.
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