Variedades • 17:36h • 04 de junho de 2026
O lado invisível dos e-sports: dores, desgaste mental e lesões crescem entre jogadores
Horas seguidas diante das telas podem provocar dores, fadiga ocular, problemas posturais e impactos emocionais em jogadores competitivos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sherlock Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Passar horas seguidas diante de uma tela deixou de ser apenas lazer para virar rotina de milhares de atletas de e-sports. Em campeonatos profissionais e até no cenário amador, jogadores enfrentam treinos intensos, pressão psicológica, movimentos repetitivos e jornadas longas que começam a preocupar especialistas da área da saúde.
Segundo a médica fisiatra Jane Konidis, diretora de Medicina para Jogos Eletrônicos e E-sports da Mayo Clinic, os esportes eletrônicos exigem muito mais do corpo e da mente do que muita gente imagina. A especialista explica que partidas competitivas envolvem velocidade de raciocínio, coordenação motora fina e movimentos repetitivos constantes de mãos, punhos e braços.
Olhos, coluna e mãos estão entre os principais problemas
Entre os problemas mais frequentes relatados por jogadores competitivos está a fadiga ocular, causada pelo excesso de exposição às telas sem pausas adequadas. Irritação nos olhos, visão embaçada, dores de cabeça e sensação constante de cansaço visual aparecem entre os sintomas mais comuns.
Outro quadro que começa a chamar atenção dos especialistas é a chamada síndrome do glúteo inativo, associada ao excesso de tempo sentado. O problema pode favorecer dores lombares, desconforto nos joelhos e alterações posturais. Além disso, dores em mãos, punhos, braços, pescoço e costas também aparecem com frequência entre jogadores profissionais e amadores. O uso contínuo de mouse, teclado, controles e smartphones pode provocar lesões por sobrecarga, como tendinites e síndrome do túnel do carpo.
“A rotina dos e-sports exige movimentos finos sustentados, velocidade e coordenação entre olhos e mãos durante muitas horas”, explica Jane Konidis.
Sono e saúde mental também preocupam
Os impactos não ficam restritos apenas às dores físicas. Especialistas também observam efeitos ligados ao sedentarismo, noites mal dormidas e desgaste emocional causado pela pressão competitiva.
A exposição prolongada à luz azul das telas pode interferir diretamente na qualidade do sono e nos ritmos biológicos, principalmente em atletas que disputam campeonatos internacionais e enfrentam mudanças frequentes de horário.
Além disso, alguns jogadores relatam sintomas ligados à ansiedade, estresse e exaustão mental, especialmente em ambientes competitivos de alta cobrança e treinos intensos.
Pausas e atividade física ajudam na prevenção
Especialistas defendem que atletas de e-sports recebam acompanhamento semelhante ao oferecido em esportes tradicionais, incluindo avaliações físicas, posturais e psicológicas.
Entre as recomendações mais importantes estão pausas regulares durante os jogos, prática de atividade física, alongamentos e cuidados com postura e sono. Uma das orientações mais conhecidas para reduzir a fadiga ocular é a chamada regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto distante cerca de seis metros.
Com o crescimento acelerado dos esportes eletrônicos no Brasil e no mundo, especialistas avaliam que a discussão sobre saúde física e mental dos jogadores deve ganhar cada vez mais espaço dentro do universo gamer.
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