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Mundo • 18:29h • 18 de fevereiro de 2026

O novo perfil do CEO no Brasil combina estratégia, empatia e proximidade

Empresas buscam líderes estratégicos, empáticos e acessíveis para enfrentar ciclos mais curtos e equipes mais exigentes

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1

Liderança corporativa exige equilíbrio entre resultado e bem-estar
Liderança corporativa exige equilíbrio entre resultado e bem-estar

O perfil do CEO mudou. Se há duas décadas a prioridade era conhecimento técnico e foco exclusivo em resultado, hoje empresas procuram líderes capazes de equilibrar estratégia, inovação, proximidade com o time e inteligência emocional. Segundo Cadu Altona, sócio-fundador da EXEC, consultoria especializada na seleção e desenvolvimento de altos executivos, o modelo de liderança centrado no controle rígido e na cobrança a qualquer custo perdeu espaço para um perfil mais versátil e humano.

De acordo com o executivo, as chamadas hard skills deixaram de ser diferencial competitivo e passaram a representar apenas o requisito básico para ocupar a função. A capacidade técnica é considerada essencial, mas insuficiente para definir a escolha de um novo CEO. O que pesa hoje são habilidades comportamentais, visão estratégica e capacidade de mobilizar equipes em ambientes de constante transformação.

Resultado sem desgaste

O comportamento baseado exclusivamente em metas e pressão intensa deixou de ser tolerado no topo das organizações. Para Altona, o líder atual precisa extrair desempenho sem comprometer a saúde mental da equipe. A expectativa é que o executivo gere resultados mantendo clima de colaboração e propósito claro, evitando ambientes que favoreçam burnout.

A velocidade das mudanças também impõe novos desafios. Planos estratégicos de cinco anos tornaram-se menos frequentes. Ciclos de investimento mais curtos e ajustes trimestrais exigem CEOs com leitura rápida de cenário e capacidade de tomada de decisão em ambientes incertos. Nesse contexto, proximidade com a equipe se torna um ativo estratégico, já que nem todas as respostas estão nos relatórios financeiros.

Inteligência emocional como diferencial

Altona destaca que inteligência emocional é uma das competências mais escassas e valorizadas no mercado executivo. Profissionais capazes de manter equilíbrio, empatia e clareza em momentos de pressão tendem a se destacar na alta liderança. O controle das próprias emoções influencia diretamente a qualidade das decisões e o relacionamento com a equipe.

Presencial em alta

O debate sobre trabalho remoto também integra essa transformação. Segundo dados da Fundação Getulio Vargas, a adoção de modelos híbridos ou remotos caiu de 30% para 24% entre 2022 e 2023. Informações do LinkedIn indicam redução de 40% nas vagas totalmente remotas no mesmo período. Nos Estados Unidos, levantamento da McKinsey aponta que o número de empresas com trabalho integralmente a distância caiu pela metade entre 2021 e 2024.

Para Altona, o contato presencial favorece aprendizado por observação, mentorias e decisões estratégicas. A tendência, segundo ele, é de modelos híbridos com presença majoritária no escritório.

Vida pessoal deixa de ser tabu

Outra mudança relevante envolve a relação entre vida profissional e pessoal. Pesquisa The C-Suite Balancing Act, da Deloitte, mostrou que 58% de CEOs e CFOs consideram o bem-estar familiar prioridade maior do que há cinco anos. Além disso, 72% apontam flexibilidade como critério importante para aceitar novos cargos.

A humanização da liderança passa por reconhecer que executivos também têm limites e demandas pessoais. Demonstrar equilíbrio entre trabalho e vida privada tende a fortalecer vínculos internos e cultura organizacional.

Cinco prioridades para o CEO “equilibrista”

Especialistas apontam diretrizes para executivos que desejam se preparar para o novo perfil de liderança:

  1. Equilibrar competências técnicas e comportamentais, com foco em empatia e comunicação clara;
  2. Incorporar inovação como mentalidade estratégica, acompanhando tendências globais;
  3. Priorizar saúde mental e bem-estar da equipe como parte da agenda de resultados;
  4. Utilizar o presencial de forma estratégica, sem abandonar práticas híbridas eficientes;
  5. Construir rede de apoio sólida, incluindo RH, conselho e programas de desenvolvimento executivo.

O novo CEO é menos controlador e mais articulador. Em vez de herói solitário, assume papel de coordenador de talentos, capaz de alinhar resultados, pessoas e cultura em um ambiente corporativo cada vez mais dinâmico.

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