Ciência e Tecnologia • 21:32h • 04 de julho de 2026
O problema de saúde do avô inspirou estudante a desenvolver pesquisa para tratar feridas crônicas
Vivência familiar levou aluno de Engenharia Biomédica do Einstein a desenvolver estudo com biomateriais e impressão 3D para estimular a cicatrização em pessoas com diabetes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Divulgação/Ilustração
A convivência com o avô diabético e as dificuldades provocadas por feridas que demoravam a cicatrizar motivaram o estudante Yunes Natal a transformar uma experiência pessoal em um projeto científico. Aluno da primeira turma de Engenharia Biomédica do Ensino Einstein, ele desenvolve uma pesquisa que busca criar novos biomateriais para auxiliar na regeneração de feridas crônicas, um dos principais desafios enfrentados por pessoas com diabetes.
A iniciativa ganhou força após o estudante ingressar em um projeto de iniciação científica orientado pelo professor Roger Borges. O trabalho recebeu uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e tem como foco o desenvolvimento de uma tecnologia que poderá, futuramente, contribuir para novos tratamentos na área da cicatrização.
Uma pergunta nascida dentro de casa virou pesquisa científica
Natural de Governador Valadares (MG), Yunes mudou-se para São Paulo para integrar a primeira turma do curso de Engenharia Biomédica do Ensino Einstein. Durante a graduação, decidiu direcionar sua pesquisa para um problema que conhecia de perto.
Segundo o estudante, o sofrimento do avô com feridas que não cicatrizavam despertou o desejo de buscar uma solução que pudesse beneficiar pacientes com a mesma condição. A ideia foi acolhida pelo orientador e passou a integrar uma nova linha de investigação dentro do laboratório.
Para o professor Roger Borges, experiências pessoais podem ser o ponto de partida para importantes descobertas científicas, desde que sejam desenvolvidas com metodologia e rigor científico.
Impressão 3D e biomateriais estão entre as apostas da pesquisa
O estudo recebeu o título Impressão 3D de scaffolds piezoelétricos associados com fitoterápicos para regeneração de feridas crônicas. Os chamados scaffolds são estruturas produzidas por impressão 3D que funcionam como suporte para o crescimento das células e a regeneração dos tecidos.
A pesquisa combina biomateriais com propriedades piezoelétricas, capazes de transformar estímulos mecânicos em sinais elétricos, com componentes naturais, como o óleo de semente de uva, estudado pelo potencial de contribuir para a regeneração tecidual.
No futuro, a expectativa é que essa tecnologia possa resultar em produtos de aplicação direta sobre a ferida, como géis ou pomadas, capazes de estimular respostas celulares quando ativados por ultrassom, favorecendo o processo de cicatrização.
Primeira etapa foi concluída e pesquisa segue em desenvolvimento
Até o momento, Yunes concluiu a fase de desenvolvimento e caracterização dos biomateriais. Os testes contaram com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da pesquisadora de pós-doutorado do Einstein, Dra. Thais Samed Souza, integrante do grupo coordenado por Roger Borges.
As próximas etapas incluem testes in vitro, que irão avaliar a interação do material com células da pele e seu potencial para futuras aplicações.
Segundo o estudante, o objetivo sempre foi desenvolver uma pesquisa com potencial de gerar impacto real, e não apenas cumprir uma etapa da graduação. A trajetória também demonstra como a Engenharia Biomédica reúne conhecimentos de diferentes áreas para buscar soluções para desafios concretos da saúde.
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