Saúde • 19:50h • 11 de julho de 2026
O que a ciência já sabe sobre a Cannabis medicinal em 2026
Análise do 5º Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal destaca avanços, evidências consolidadas, desafios regulatórios e o protagonismo do farmacêutico
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
A Cannabis medicinal continua ganhando espaço nas pesquisas científicas e nas discussões sobre novas opções terapêuticas. Esse foi um dos principais temas da 5ª edição do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, realizada entre os dias 21 e 23 de maio de 2026, em São Paulo. O evento reuniu pesquisadores, profissionais da saúde, representantes da indústria e especialistas para apresentar estudos, debater avanços regulatórios e discutir as perspectivas para o setor.
Com programação voltada para áreas como medicina, farmácia, veterinária, química, agronomia e negócios, o congresso apresentou pesquisas desenvolvidas por instituições como Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Faculdade de Medicina do ABC e Faculdade Sírio-Libanês. Parte desses estudos é realizada em parceria com a indústria farmacêutica, que trabalha no desenvolvimento de medicamentos à base de Cannabis.
Além da programação científica, o evento contou com expositores ligados à importação de produtos, farmácias de manipulação, empresas de regularização sanitária, conselhos profissionais e representantes do setor de cultivo.
Evidências científicas e novos desafios
As apresentações mostraram que algumas aplicações terapêuticas da Cannabis já possuem evidências científicas mais consistentes. Entre elas estão o tratamento da esclerose múltipla, epilepsias refratárias, náuseas e vômitos relacionados a tratamentos médicos e, mais recentemente, a dor lombar crônica com componente neuropático. Também existem resultados positivos para algumas neuropatias, espasticidade e sintomas associados às demências.
Outras indicações ainda apresentam resultados considerados promissores, mas dependem de novos estudos para confirmação. É o caso do uso de canabinoides para distúrbios do sono, transtorno do espectro autista, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, sintomas comportamentais das demências e saúde sexual feminina.
Por outro lado, especialistas defenderam cautela em relação ao uso da Cannabis para condições como obesidade e controle de peso. Apesar da existência de pesquisas experimentais envolvendo alguns canabinoides, ainda não há evidências clínicas suficientes para recomendar essas aplicações de forma rotineira.
O congresso também destacou as perspectivas trazidas pelo novo marco regulatório brasileiro, que deverá ampliar o acesso a produtos à base de Cannabis por meio das farmácias de manipulação, inicialmente com formulações contendo canabidiol (CBD), conforme regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre os consensos apresentados durante o evento está a recomendação de iniciar os tratamentos com doses baixas e aumentar gradualmente conforme a resposta clínica do paciente. Os especialistas também ressaltaram que a composição da formulação, incluindo a combinação entre diferentes canabinoides e outros componentes da planta, pode influenciar os resultados terapêuticos.
As discussões apontaram ainda para a necessidade de ampliar as pesquisas sobre o sistema endocanabinoide, desenvolver novas tecnologias farmacêuticas para melhorar a absorção dos compostos e fortalecer a farmacovigilância. A expectativa é que o avanço das pesquisas, da regulamentação e das políticas públicas amplie a participação de farmacêuticos, pesquisadores e profissionais da saúde no desenvolvimento, produção e acompanhamento dos tratamentos com medicamentos à base de Cannabis.
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