Responsabilidade Social • 19:51h • 28 de setembro de 2026
O que acontece com as fraldas geriátricas depois que vão para o lixo?
Resíduos contaminados podem carregar bactérias resistentes a antibióticos e chegar a rios e valões; proposta busca criar regras nacionais para descarte e acompanhamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O descarte de fraldas geriátricas pode representar um problema que vai além do lixo doméstico. Usado por idosos e pessoas com incontinência, o material pode conter bactérias presentes nas fezes e na urina, inclusive microrganismos resistentes a antibióticos. Uma proposta de autoria da deputada federal Cristiane Brasil pretende criar uma legislação federal para organizar o descarte e acompanhar o destino desses resíduos após saírem de residências, hospitais e instituições.
A resistência aos antibióticos aparece como uma das principais preocupações associadas ao tema. Um estudo realizado na França encontrou bactérias resistentes em produtos utilizados para incontinência por moradores de instituições de longa permanência. Entre os microrganismos citados estão Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, bactérias associadas a infecções que podem ser graves, especialmente entre idosos.
O problema não termina quando a fralda é colocada no lixo. A preocupação apresentada na proposta está no caminho percorrido pelo resíduo contaminado quando não há estrutura adequada de coleta e destinação. Nessas situações, o material pode alcançar sistemas de esgoto e cursos d'água, chegando a rios e valões.
Proposta quer organizar o descarte
A iniciativa pretende estabelecer uma estrutura que envolva saúde, limpeza urbana e gestão de resíduos, definindo responsabilidades do poder público e da cadeia de produção. A intenção é evitar que famílias e cuidadores tenham de lidar sozinhos com uma questão que envolve custos, destinação e possíveis riscos sanitários.
Para avaliar como esse modelo poderia funcionar, a proposta prevê um projeto piloto em Petrópolis. A experiência serviria para integrar diferentes órgãos, identificar dificuldades e avaliar soluções antes de uma possível aplicação em maior escala.
Os resultados obtidos no município poderiam, então, contribuir para a construção de uma política de alcance nacional para o descarte desse tipo de resíduo.
Questão vai além do lixo
A proposta também amplia a discussão para as condições enfrentadas por idosos que dependem de fraldas geriátricas e por quem presta esses cuidados. O debate envolve acompanhamento dos pacientes, uso de medicamentos, ocorrência de infecções e internações, autonomia e suporte às famílias e cuidadores.
Ao reunir essas diferentes questões, a iniciativa coloca saúde pública, resistência bacteriana, cuidados com idosos, gestão de resíduos e impactos ambientais dentro da mesma discussão, com atenção especial ao destino dado às fraldas após o uso.
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