Responsabilidade Social • 20:26h • 27 de junho de 2026
O que acontece com pessoas LGBTQIA+ no Irã, no Egito e no Brasil? Entenda as diferenças
Duelo entre Irã e Egito na Copa de 2026 reacende discussões sobre criminalização, direitos humanos e os diferentes cenários enfrentados pela população LGBTQIA+ ao redor do mundo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Âncora1/Ilustração
O confronto entre Irã e Egito, marcado para este sábado pela Copa do Mundo de 2026, vai muito além do futebol. A partida colocou novamente em evidência a situação enfrentada por pessoas LGBTQIA+ em diferentes partes do mundo, especialmente porque os dois países possuem históricos de restrições aos direitos dessa população. O debate ganhou força após a Fifa confirmar que bandeiras do arco-íris poderão entrar no estádio, apesar dos pedidos das duas federações para que não houvesse manifestações ligadas ao movimento.
Embora a orientação sexual e a identidade de gênero sejam reconhecidas como parte dos direitos humanos por diversos organismos internacionais, a realidade varia profundamente entre os países. Em alguns lugares, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são protegidos por lei. Em outros, ainda podem resultar em prisão, punições físicas e até pena de morte.
O contraste se torna ainda mais evidente em um evento global como a Copa do Mundo, que reúne torcedores de diferentes culturas, legislações e visões de sociedade.
Irã mantém uma das legislações mais severas do mundo
O Irã figura entre os países com as leis mais rígidas contra relações entre pessoas do mesmo sexo. O Código Penal iraniano criminaliza esses relacionamentos e prevê punições que variam conforme a acusação e a interpretação judicial.
Entre as penalidades previstas estão prisão, aplicação de chibatadas e, em determinados casos previstos na legislação, a pena de morte. Organizações internacionais de direitos humanos apontam que essas normas continuam sendo motivo de preocupação diante dos impactos sobre a liberdade e a segurança da população LGBTQIA+.

Outro aspecto frequentemente citado por especialistas é a situação das pessoas trans no país. A legislação iraniana permite a redesignação sexual em determinadas circunstâncias, após procedimentos autorizados pelo Estado. Ao mesmo tempo, organizações de direitos humanos relatam que pessoas LGBTQIA+ enfrentam pressão social e institucional para se enquadrar em modelos binários, considerados aceitáveis pelas autoridades, realidade que continua sendo alvo de críticas internacionais.
No Egito, não há proibição explícita, mas prisões acontecem
Diferentemente do Irã, o Egito não possui uma lei que criminalize expressamente relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo. Ainda assim, isso não significa que pessoas LGBTQIA+ estejam protegidas.
Autoridades egípcias utilizam outras legislações, principalmente normas relacionadas à "devassidão", "imoralidade" e prostituição, para investigar, prender e processar pessoas suspeitas de manter relações homoafetivas. Organizações internacionais também denunciam o monitoramento de aplicativos de relacionamento e operações policiais direcionadas à comunidade LGBTQIA+.

Além das consequências legais, pessoas LGBTQIA+ relatam riscos de violência, extorsão, discriminação e forte estigmatização social, fatores que fazem muitos evitarem demonstrações públicas de afeto ou a exposição de sua orientação sexual.
Brasil protege por lei, mas ainda enfrenta altos índices de violência
O cenário brasileiro é bastante diferente sob o aspecto jurídico. Relações entre pessoas do mesmo sexo são reconhecidas legalmente, o casamento civil é permitido e decisões do Supremo Tribunal Federal equipararam a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, permitindo a responsabilização criminal em casos de discriminação.

Apesar desse conjunto de garantias legais, a realidade continua desafiadora. O Brasil aparece com frequência em levantamentos de organizações da sociedade civil como um dos países com maior número de mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, especialmente da população trans. Esses dados, produzidos por entidades especializadas, convivem com um cenário em que ainda há subnotificação e diferenças metodológicas entre os levantamentos, mas reforçam a preocupação com a violência e a discriminação.
Outro dado que chama atenção é a baixa expectativa de vida da população trans no país, reflexo de fatores como exclusão social, violência, dificuldades de acesso ao mercado de trabalho e barreiras no acesso à saúde e à educação.
Arte: Âncora1®
O futebol abre espaço para uma discussão maior
O jogo entre Irã e Egito acabou transformando uma partida da fase de grupos em um ponto de partida para uma discussão mais ampla sobre direitos humanos, diversidade e respeito às diferenças. Ao reunir seleções de países com legislações restritivas justamente durante a Semana do Orgulho de Seattle, e no dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, a Copa trouxe para o centro do debate temas que ultrapassam as quatro linhas.
Independentemente de convicções religiosas, culturais ou políticas, a forma como diferentes países tratam pessoas LGBT continua sendo tema de debate em organismos internacionais, governos e entidades de defesa dos direitos humanos. A comparação entre Irã, Egito e Brasil mostra que a proteção legal, por si só, não elimina desafios, mas também evidencia que, em algumas partes do mundo, ainda existem pessoas que vivem sob o risco de punições severas simplesmente por sua orientação sexual ou identidade de gênero.
É uma realidade que continua despertando preocupação e reflexão em diferentes partes do mundo.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos